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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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Pix pode se conectar ao sistema europeu de pagamentos

O Banco Central do Brasil está em negociações preliminares para conectar o Pix ao TIPS, o sistema de pagamentos instantâneos da Europa. A iniciativa, revelada por documento do Banco Central Europeu, pode permitir transferências internacionais em poucos segundos.

Banco Central negocia conectar Pix ao sistema europeu de pagamentos instantâneos, permitindo transferências internacionais em segundos com taxas menores.

O Banco Central brasileiro está avaliando conectar o Pix — o sistema que permite transferências bancárias instantâneas entre pessoas e empresas — ao TIPS, a plataforma equivalente da Europa. Segundo documento do Banco Central Europeu (BCE), a possível integração está em fase inicial, chamada de “pré-investigação”, com participação de equipes de alto nível nas áreas operacional, de segurança, técnica e jurídica, conforme revelou a Folha de S.Paulo.

A etapa atual começou em junho de 2025 e deve terminar em setembro de 2026. Depois dessa fase preliminar, ainda viriam duas etapas adicionais: exploração e realização — o que indica que uma conexão efetiva ainda levaria tempo. O Banco Central brasileiro não comentou oficialmente o caso, mas já havia mencionado a possibilidade em seu Relatório de Gestão do Pix, publicado em agosto de 2025.

A integração funcionaria como uma ponte entre sistemas bancários: um brasileiro poderia enviar dinheiro para um europeu com a mesma facilidade com que faz um Pix hoje, recebendo o valor em moeda local em segundos. Atualmente, transferências internacionais podem levar dias e custar caro — taxas que variam de 3% a 7% do valor enviado, segundo dados do Banco Mundial. Para comparação, o Pix é gratuito para pessoas físicas no Brasil.

O Brasil não está sozinho nessa empreitada. A China também manifestou interesse em integrar seus sistemas de pagamento instantâneo com o Pix, e o BC participa de iniciativas multilaterais como o Nexus, coordenado pelo Banco de Compensações Internacionais. A título de comparação, a Índia já conectou seu sistema UPI (equivalente ao Pix) com plataformas de Singapura e dos Emirados Árabes, facilitando remessas para milhões de trabalhadores indianos no exterior.

Segundo o Banco Central, essas conexões têm potencial para “diminuir tarifas, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência de transações transfronteiriças” — ou seja, tornar mais barato e rápido enviar dinheiro para fora do país.

📊 Número do Dia

3 a 7% , Percentual médio cobrado em transferências internacionais tradicionais, segundo o Banco Mundial — custo que poderia cair drasticamente com a integração do Pix a sistemas estrangeiros

Por que isso importa

Para os 4,9 milhões de brasileiros que vivem no exterior, a integração pode significar economia significativa no envio de dinheiro para a família — as remessas internacionais movimentaram US$ 4,2 bilhões em 2024, segundo o Banco Central. Para empresas que importam ou exportam, a possibilidade de pagar fornecedores estrangeiros instantaneamente e com taxas menores pode reduzir custos operacionais. E para o cidadão comum, abre a porta para compras internacionais mais baratas e práticas, sem depender de cartões de crédito com IOF (imposto sobre operações financeiras) de 5,38%.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/09/bc-avalia-interligar-pix-com-sistema-de-pagamentos-europeu.ghtml