O Banco Central brasileiro está avaliando conectar o Pix — o sistema que permite transferências bancárias instantâneas entre pessoas e empresas — ao TIPS, a plataforma equivalente da Europa. Segundo documento do Banco Central Europeu (BCE), a possível integração está em fase inicial, chamada de “pré-investigação”, com participação de equipes de alto nível nas áreas operacional, de segurança, técnica e jurídica, conforme revelou a Folha de S.Paulo.
A etapa atual começou em junho de 2025 e deve terminar em setembro de 2026. Depois dessa fase preliminar, ainda viriam duas etapas adicionais: exploração e realização — o que indica que uma conexão efetiva ainda levaria tempo. O Banco Central brasileiro não comentou oficialmente o caso, mas já havia mencionado a possibilidade em seu Relatório de Gestão do Pix, publicado em agosto de 2025.
A integração funcionaria como uma ponte entre sistemas bancários: um brasileiro poderia enviar dinheiro para um europeu com a mesma facilidade com que faz um Pix hoje, recebendo o valor em moeda local em segundos. Atualmente, transferências internacionais podem levar dias e custar caro — taxas que variam de 3% a 7% do valor enviado, segundo dados do Banco Mundial. Para comparação, o Pix é gratuito para pessoas físicas no Brasil.
O Brasil não está sozinho nessa empreitada. A China também manifestou interesse em integrar seus sistemas de pagamento instantâneo com o Pix, e o BC participa de iniciativas multilaterais como o Nexus, coordenado pelo Banco de Compensações Internacionais. A título de comparação, a Índia já conectou seu sistema UPI (equivalente ao Pix) com plataformas de Singapura e dos Emirados Árabes, facilitando remessas para milhões de trabalhadores indianos no exterior.
Segundo o Banco Central, essas conexões têm potencial para “diminuir tarifas, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência de transações transfronteiriças” — ou seja, tornar mais barato e rápido enviar dinheiro para fora do país.
📊 Número do Dia
3 a 7% , Percentual médio cobrado em transferências internacionais tradicionais, segundo o Banco Mundial — custo que poderia cair drasticamente com a integração do Pix a sistemas estrangeiros
Por que isso importa
Para os 4,9 milhões de brasileiros que vivem no exterior, a integração pode significar economia significativa no envio de dinheiro para a família — as remessas internacionais movimentaram US$ 4,2 bilhões em 2024, segundo o Banco Central. Para empresas que importam ou exportam, a possibilidade de pagar fornecedores estrangeiros instantaneamente e com taxas menores pode reduzir custos operacionais. E para o cidadão comum, abre a porta para compras internacionais mais baratas e práticas, sem depender de cartões de crédito com IOF (imposto sobre operações financeiras) de 5,38%.
Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/09/bc-avalia-interligar-pix-com-sistema-de-pagamentos-europeu.ghtml


