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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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Governo adia CNPJ obrigatório para nanoempreendedores até 2028

O governo federal adiou até 31 de dezembro de 2028 a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ e emissão de nota fiscal eletrônica para nanoempreendedores, categoria criada na regulamentação da reforma tributária.

Governo adia até 2028 obrigatoriedade de CNPJ para nanoempreendedores. Recuo suspende exigência que contrariava promessa de facilitar formalização.

O governo federal recuou de uma exigência que gerou críticas dentro do próprio Executivo. A obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e de emissão de nota fiscal eletrônica para nanoempreendedores foi adiada até 31 de dezembro de 2028, segundo ato publicado na sexta-feira pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS e da CBS.

Os nanoempreendedores são trabalhadores com receita bruta anual inferior a R$ 40,5 mil — metade do limite estabelecido para os Microempreendedores Individuais (MEIs), fixado em R$ 81 mil por ano. Para ter uma ideia, R$ 40,5 mil por ano equivalem a cerca de R$ 3.375 por mês, valor próximo a dois salários mínimos atuais. A categoria foi criada justamente para facilitar a regularização de quem trabalha na informalidade, um problema crônico no Brasil: segundo dados do IBGE, cerca de 39% da força de trabalho brasileira estava na informalidade em 2023.

A proposta original era reduzir barreiras burocráticas e isentar esses trabalhadores dos dois novos tributos sobre o consumo — o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS, que substituirá o ICMS estadual) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS, que unificará tributos federais como PIS e Cofins). Esses impostos fazem parte da reforma tributária aprovada pelo Congresso e que começará a valer gradualmente a partir de 2026.

O problema surgiu quando um ato regulamentador posterior determinou que os nanoempreendedores precisariam de CNPJ e emitir nota fiscal eletrônica já a partir de 2025. A exigência contrariava o espírito da medida, que era justamente simplificar a vida de quem ganha pouco e trabalha por conta própria. Imagine criar uma porta de entrada mais larga para depois colocar uma catraca na frente: foi essa a sensação que a nova regra causou.

Comparação internacional

A título de comparação, países como Portugal e Espanha também possuem regimes simplificados para pequenos trabalhadores autônomos, mas com limites de faturamento mais altos quando ajustados pelo poder de compra. No Brasil, a informalidade é historicamente mais elevada que na média da União Europeia (cerca de 15%), o que torna políticas de formalização ainda mais sensíveis.

📊 Número do Dia

R$ 40,5 mil , Limite de receita anual para ser considerado nanoempreendedor, metade do teto do MEI

Por que isso importa

Para o trabalhador informal que ganha até R$ 3.375 por mês, o adiamento significa três anos a mais sem a necessidade de abrir CNPJ ou emitir nota fiscal, reduzindo custos e burocracia. Para o governo, o recuo evita críticas políticas e dá tempo para ajustar a regulamentação da reforma tributária. Para a economia, a medida pode facilitar a formalização gradual de milhões de brasileiros que hoje operam à margem do sistema tributário.


Fonte original: https://atarde.com.br/economia/governo-recua-e-adia-exigencia-de-cnpj-para-nanoempreendedores-1400174