Pular para o conteúdo
quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Especialistas propõem nova reforma da Previdência no Brasil

Um grupo de economistas brasileiros apresentou proposta de reforma da Previdência Social que inclui aumento da idade mínima para 67 anos, criação de sistema misto com capitalização e redução do valor inicial do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Economistas propõem reforma da Previdência com idade mínima de 67 anos, capitalização parcial e mudanças no BPC para conter gasto que pode chegar a 17% do PIB.

Sete anos após a última reforma previdenciária, especialistas alertam que o envelhecimento populacional mais acelerado que o previsto exige novas mudanças no sistema de aposentadorias brasileiro. Segundo Paulo Tafner, diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social e coordenador do estudo, a reforma de 2019 foi incompleta e os dados do Censo de 2022 revelaram que a população está envelhecendo mais rápido, com taxa de fecundidade menor que o esperado.

O principal argumento dos economistas é fiscal. A despesa previdenciária já consome 8% do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de tudo que o país produz em um ano) e pode saltar para 17,4% do PIB sem uma reforma. Para contextualizar, isso significa que quase um quinto de toda a riqueza gerada no Brasil seria destinada apenas ao pagamento de aposentadorias e pensões. Com as mudanças propostas, esse gasto ficaria em torno de 10% a partir de 2060.

Sistema misto: repartição e capitalização

A principal inovação da proposta é a criação de um sistema misto, no qual metade das contribuições permanece no modelo atual (chamado de repartição, onde os trabalhadores de hoje pagam os aposentados de hoje) e a outra metade vai para contas individuais em fundos de pensão. É como se cada trabalhador tivesse uma poupança própria para sua aposentadoria, além de contribuir para o sistema coletivo. Segundo Tafner, isso muda o modelo de “benefício definido” (onde você sabe quanto vai receber) para “contribuição definida” (onde você sabe quanto contribui, mas o valor final depende do rendimento dos investimentos).

O custo de transição para esse sistema misto alcançaria 2,2% do PIB em 2070, segundo os cálculos. Os economistas propõem cobrir essa despesa com revisão de renúncias fiscais (benefícios tributários concedidos pelo governo), royalties do petróleo e melhor focalização do abono salarial.

Idade mínima e igualdade de gênero

A proposta unifica a idade mínima de aposentadoria em 67 anos para homens e mulheres, tanto no meio urbano quanto rural. Atualmente, homens se aposentam aos 65 anos e mulheres aos 62 (com redução de um ano e meio para cada filho). No campo, a idade é ainda menor: 60 anos para homens e 55 para mulheres. A título de comparação, países como Alemanha e Holanda já adotam 67 anos como idade mínima, enquanto a França recentemente elevou para 64 anos em meio a protestos.

Além disso, a idade subiria automaticamente conforme aumenta a expectativa de vida: a cada seis meses a mais de longevidade da população, a idade para aposentadoria aumentaria quatro meses. Esse mecanismo já existe em países como Dinamarca e Holanda.

Mudanças no BPC e contribuições

O Benefício de Prestação Continuada (um salário mínimo pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, sem exigir contribuição prévia) seria reduzido. O valor inicial cairia para 60% do salário mínimo, subindo dois pontos percentuais a cada ano de contribuição, chegando a um salário mínimo completo apenas com 20 anos de contribuição.

Para os Microempreendedores Individuais (MEI), a contribuição subiria de 5% para 11% do salário mínimo, exceto para beneficiários do Bolsa Família. Já a contribuição patronal (paga pelas empresas) cairia de 20% para 16% e incidiria apenas sobre valores até o teto da Previdência, não mais sobre o total da folha. Segundo os especialistas, isso reduziria a “pejotização” (quando empresas contratam trabalhadores como pessoas jurídicas para pagar menos encargos).

A proposta também prevê que empresas contratem seguros privados para cobrir auxílio-doença, acidentes de trabalho e aposentadoria por invalidez, podendo escolher entre o INSS e seguradoras privadas. Isso transferiria parte do risco previdenciário para o mercado de seguros.

📊 Número do Dia

17,4% , Fatia do PIB que a Previdência pode consumir sem reforma, contra 8% atuais

Por que isso importa

Para o cidadão, as mudanças significariam trabalhar mais tempo antes de se aposentar e, no caso do BPC, receber valores menores inicialmente. Para as empresas, a redução da contribuição patronal pode diminuir custos trabalhistas, mas surgiriam novas despesas com seguros obrigatórios. Para o investidor, a criação de contas individuais de capitalização abriria um mercado bilionário para fundos de pensão e gestoras de recursos, movimentando a indústria financeira brasileira.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/08/aumento-da-idade-minima-bpc-menor-capitalizacao-as-mudancas-propostas-por-especialistas-em-previdencia.ghtml