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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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Correios lançam segundo PDV do ano após meta frustrada

Os Correios abriram nesta quinta-feira (20) as inscrições para um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV), o segundo em 2026. Desta vez, o foco são 7 mil trabalhadores lotados em mil unidades que serão extintas, segundo o plano de reestruturação da empresa.

Correios lançam segundo PDV em 2026 mirando 7 mil funcionários após adesão de apenas 30% no primeiro plano. Incentivo vai de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil.

Os Correios lançaram nesta quinta-feira (20) um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) — um programa que oferece compensação financeira para funcionários que aceitarem deixar a empresa de forma voluntária. As inscrições ficam abertas até setembro e miram 7 mil trabalhadores, todos lotados em unidades que serão fechadas: agências e centros de tratamento de cargas que fazem parte do plano de reestruturação da estatal.

A diferença em relação ao primeiro PDV do ano é que, desta vez, a direção não estabeleceu meta de adesões. Entre fevereiro e março, apenas 3.075 funcionários aderiram ao programa — 30% da meta de 10 mil desligamentos. Apesar do número baixo, a empresa afirma ter economizado 45% da meta de R$ 1,4 bilhão prevista, o que sugere que os funcionários que saíram tinham salários mais altos que a média.

Quanto vale o incentivo

O incentivo financeiro varia de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil, pago em parcela única, sem desconto de Imposto de Renda nem recolhimento de FGTS (o fundo que funciona como uma poupança forçada do trabalhador). O valor é calculado conforme o tempo de serviço, a idade e se o funcionário já pode se aposentar — quanto mais tempo de casa e mais próximo da aposentadoria, maior a indenização. O pagamento ocorre até o décimo dia do mês seguinte ao desligamento.

Para entender a dimensão: é como se a empresa oferecesse até 38 salários mínimos (considerando o piso nacional de R$ 1.412 em 2024) para quem aceitar sair voluntariamente, dependendo do perfil do funcionário.

Por que os Correios precisam enxugar

A folha de pagamento é o principal gasto da estatal, que registrou prejuízo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026 — 82% maior que o mesmo período de 2025. Segundo o governo, a expectativa é que o rombo chegue a R$ 10 bilhões em 2026, mas a empresa deve sair do vermelho em 2027 com a execução do plano de reestruturação, que inclui parcerias com o setor privado para aumentar receitas.

A título de comparação, empresas postais estatais em outros países também passaram por reestruturações semelhantes. O Royal Mail, no Reino Unido, cortou cerca de 10 mil postos de trabalho entre 2020 e 2023 diante da queda no volume de correspondências e da concorrência de empresas privadas de logística. A diferença é que, no Brasil, os Correios ainda detêm monopólio sobre cartas, mas enfrentam concorrência acirrada no segmento de encomendas, que cresceu com o comércio eletrônico.

📊 Número do Dia

30% , Taxa de adesão ao primeiro PDV dos Correios em 2026, muito abaixo da meta de 10 mil desligamentos

Por que isso importa

Para o cidadão, a reestruturação pode significar menos agências e centros de atendimento, especialmente em cidades menores onde os Correios são o único serviço postal disponível. Para o contribuinte, o desafio é equilibrar a necessidade de tornar a empresa sustentável sem comprometer o serviço público. E para os 7 mil funcionários elegíveis, a decisão envolve pesar a indenização imediata contra a segurança do emprego público em um mercado de trabalho ainda incerto.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/20/correios-abrem-novo-pdv-mirando-7-mil-funcionarios-apos-primeiro-plano-encerrar-abaixo-da-meta.ghtml