A Embraer alcançou um marco importante no desenvolvimento do chamado “carro voador” brasileiro. O protótipo do eVTOL — sigla em inglês para veículo elétrico de decolagem e pouso vertical, uma aeronave que sobe e desce como helicóptero mas voa como avião — da Eve Air Mobility realizou pela primeira vez um teste de transição entre o voo vertical (subida) e o horizontal (deslocamento para frente). O ensaio ocorreu no centro de testes da fabricante em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, conforme divulgado nesta segunda-feira, 3.
Durante o teste, a aeronave permaneceu em voo por 3 minutos e 9 segundos, percorreu aproximadamente 1,5 quilômetro, alcançou 27 metros de altitude — equivalente a um prédio de 9 andares — e atingiu 55 km/h quando a hélice traseira (responsável por impulsionar o veículo para frente) foi ativada. Para a fabricante, o desempenho confirmou o funcionamento do sistema de propulsão e representa uma das fases mais importantes do desenvolvimento do veículo. É como testar pela primeira vez se um carro protótipo consegue mudar de marcha suavemente: sem essa transição funcionando, o projeto não avança.
Próximos passos e mercado global
A próxima etapa prevê novos ensaios para ampliar gradualmente a velocidade da aeronave até 92 km/h nas próximas semanas. O eVTOL foi projetado para transportar quatro passageiros e um piloto, com autonomia de até 100 quilômetros — distância suficiente para conectar, por exemplo, o centro de São Paulo ao Aeroporto de Guarulhos em poucos minutos, evitando o trânsito. Quando obtiver a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave será produzida em série na fábrica da Eve em Taubaté (SP).
Segundo a empresa, cerca de 3 mil unidades já foram encomendadas, com previsão de iniciar as entregas em 2027, mesmo ano em que a companhia pretende colocar o modelo em operação comercial. A Eve estima que, até 2045, a frota mundial de eVTOLs alcance aproximadamente 30 mil aeronaves, com potencial para transportar mais de 3 bilhões de passageiros ao longo desse período. A título de comparação, empresas como a alemã Volocopter e a americana Joby Aviation também correm para certificar seus modelos, mas a Embraer leva vantagem por sua experiência centenária em aviação e pela carteira de pedidos já consolidada.
Brasil na corrida tecnológica
O desenvolvimento do eVTOL coloca o Brasil em posição de destaque na corrida global pela mobilidade aérea urbana, setor que promete revolucionar o transporte nas grandes cidades. Enquanto países como Estados Unidos, Alemanha e China investem bilhões em projetos similares, a Embraer — terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo — utiliza sua expertise para competir de igual para igual. O projeto da Eve combina tecnologia elétrica (que reduz emissões de carbono) com a tradição aeronáutica brasileira, consolidada ao longo de décadas.
📊 Número do Dia
3.000 , unidades do eVTOL da Eve já encomendadas, antes mesmo da certificação final
Por que isso importa
Para o investidor, o avanço técnico reforça a viabilidade comercial do projeto e a posição da Embraer no mercado global de mobilidade aérea, setor estimado em bilhões de dólares. Para a empresa, a certificação prevista para 2027 pode abrir uma nova frente de receita em um segmento de alta tecnologia. Para o cidadão, a promessa é de deslocamentos urbanos mais rápidos e menos poluentes, reduzindo o tempo perdido no trânsito das grandes cidades — embora o preço inicial deva limitar o acesso a nichos corporativos e de luxo.
Fonte original: https://atarde.com.br/brasil/carro-voador-da-embraer-faz-1-teste-para-voo-horizontal-1397468


