A Tether, responsável pela USDT (uma stablecoin, ou seja, uma criptomoeda projetada para valer sempre US$ 1), reportou lucro operacional de US$ 1,5 bilhão no segundo trimestre de 2026, conforme divulgado pela CoinDesk. Para contextualizar: esse valor equivale a cerca de R$ 8,25 bilhões (considerando câmbio de R$ 5,50 por dólar, referência de mercado em julho de 2026), montante superior ao lucro trimestral de muitas empresas listadas na B3.
A USDT funciona como um real digital que vale sempre o mesmo, mesmo quando o resto do mercado balança. Investidores usam stablecoins para proteger capital durante quedas ou para facilitar transferências entre corretoras sem precisar voltar ao sistema bancário tradicional. A Tether mantém reservas em dólares, títulos do governo americano e outros ativos para garantir que cada USDT emitido possa ser trocado por US$ 1 a qualquer momento.
Durante o segundo trimestre de 2026, a empresa adicionou 14 toneladas métricas de ouro e aproximadamente 1.800 bitcoins às suas reservas, segundo a CoinDesk. Essa diversificação reflete uma estratégia de proteção: ouro historicamente serve como reserva de valor em períodos de instabilidade econômica, enquanto o Bitcoin representa exposição ao principal ativo cripto. A título de comparação, 14 toneladas de ouro equivalem a cerca de US$ 1,1 bilhão (considerando cotação de ouro em torno de US$ 2.400 por onça troy, patamar observado em meados de 2026 segundo dados públicos de mercado).
Porém, a margem de segurança da Tether (o excesso de ativos em relação ao total de USDT em circulação) caiu pela metade no trimestre, conforme reportou a CoinDesk. Esse colchão funciona como uma reserva extra para absorver eventuais perdas ou saques em massa. A queda pode indicar maior pressão sobre os ativos da empresa ou aumento no volume de USDT emitido sem crescimento proporcional das reservas. Para o investidor brasileiro que usa USDT em corretoras locais ou internacionais, essa redução na margem de segurança merece atenção: embora a Tether continue lucrativa, uma margem menor significa menos espaço para absorver choques.
No contexto brasileiro, a USDT é amplamente utilizada por investidores que operam em corretoras internacionais ou buscam proteção cambial sem depender do dólar tradicional. A saúde financeira da Tether impacta diretamente a confiança no mercado cripto global, incluindo os ETFs de criptomoedas negociados na B3 (como HASH11, BITH11 e QBTC11), que dependem de liquidez e estabilidade nas principais stablecoins. Historicamente, dúvidas sobre as reservas da Tether já geraram episódios de volatilidade no mercado cripto, embora a empresa tenha publicado auditorias parciais nos últimos anos.
📊 Número do Dia
US$ 1,5 bilhão , Lucro operacional da Tether no segundo trimestre de 2026, equivalente a cerca de R$ 8,25 bilhões (câmbio de R$ 5,50 por dólar).
Por que isso importa
A Tether é a espinha dorsal da liquidez no mercado cripto global: sua stablecoin USDT representa o principal meio de troca entre criptomoedas e serve como porto seguro em momentos de volatilidade. A queda na margem de segurança, mesmo com lucros robustos, sinaliza que a empresa está operando com menos folga para absorver choques. Para o investidor brasileiro, isso significa acompanhar de perto a saúde da Tether, já que qualquer abalo na confiança na USDT pode gerar ondas de volatilidade em todo o ecossistema cripto, incluindo os ativos negociados na B3.
Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/07/31/tether-posts-usd1-5-billion-operating-profit-in-q2-as-reserve-buffer-falls-by-half


