A nova tarifa entrou em vigor na madrugada desta sexta-feira (24) e será somada à sobretaxa de 25% já aplicada desde quarta-feira (22), elevando a tributação total para 37,5% nos produtos brasileiros que não constam na lista de exceções. Para entender: quando uma empresa brasileira exporta um produto para os EUA, ela precisa pagar uma taxa de entrada — como se fosse um pedágio. Esse pedágio acaba de ficar muito mais caro para diversos setores.
A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Segundo o governo estadunidense, o Brasil integra o grupo de países que não adotam mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado — uma acusação que o governo brasileiro contesta.
O que ficou protegido
A lista de exceções contempla produtos considerados estratégicos para o comércio bilateral e insumos essenciais para a indústria americana. Entre os principais itens isentos estão café, petróleo e derivados, gás natural, fertilizantes, madeira, suco de laranja, derivados de açaí, defensivos agrícolas, couros, ferro-gusa, resíduos de alumínio, equipamentos para semicondutores e determinados medicamentos. Também foram poupados diversos insumos industriais, minerais e produtos das cadeias de tecnologia e farmacêutica.
A decisão de isentar esses produtos reflete a dependência americana de certos insumos brasileiros. É como quando você aumenta o preço do aluguel, mas mantém o valor antigo para o inquilino que cuida da manutenção do prédio — há uma relação de interdependência. Segundo o USTR, as isenções consideram a importância de determinados insumos para a economia americana e compromissos comerciais já existentes.
Comparação internacional
O Brasil não foi o único alvo, mas recebeu tratamento diferente de outros parceiros comerciais dos EUA. Países e blocos como Argentina, União Europeia, Reino Unido, Suíça e Taiwan tiveram regras específicas em razão de acordos comerciais ou mecanismos considerados mais robustos de combate ao trabalho forçado. Para Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia, por exemplo, foi criado um sistema de cotas que permite a entrada de vestuário e têxteis sem a tarifa, desde que as empresas utilizem algodão e outros insumos produzidos nos Estados Unidos — uma exigência que não foi imposta ao Brasil.
O impacto acumulado
Os produtos brasileiros que não aparecem na lista de exceções enfrentarão uma sobretaxa adicional de 12,5%, que será aplicada de forma cumulativa à tarifa de 25% já em vigor, totalizando 37,5%. Na prática, isso significa que uma empresa brasileira que exporta, por exemplo, calçados ou têxteis para os EUA verá seu produto ficar 37,5% mais caro na entrada do mercado americano — um aumento que pode tornar o produto inviável comercialmente ou forçar a redução das margens de lucro. A nova alíquota substitui a tarifa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro deste ano.
📊 Número do Dia
471 , produtos brasileiros isentos da nova sobretaxa americana de 12,5%
Por que isso importa
Para empresas brasileiras que exportam para os EUA, a diferença entre estar ou não na lista de exceções pode significar a viabilidade do negócio. Produtos como café e petróleo, que representam fatias importantes da pauta exportadora brasileira, foram poupados, mas setores como calçados, têxteis e parte da indústria de transformação enfrentarão custos significativamente maiores. Para o cidadão, o impacto virá de forma indireta: empresas que perderem competitividade no mercado americano podem reduzir produção e empregos no Brasil. Para o investidor, é preciso reavaliar a exposição a setores exportadores não contemplados pelas isenções.
Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/07/estados-unidos-isentam-471-produtos-de-nova-tarifa-de-125percent.ghtml


