O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social publicou novas regras que tornam opcional a entrevista domiciliar para quem mora sozinho e deseja se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico). Até agora, essa visita presencial era obrigatória para validar a inscrição de qualquer família, independentemente do número de membros. A mudança é temporária e vale até julho de 2027, quando a exigência voltará a ser obrigatória, salvo novas exceções.
O Cadastro Único funciona como uma espécie de “carteira de identidade social” do Brasil: criado em 2001, ele reúne informações sobre famílias de baixa renda — aquelas que ganham até meio salário mínimo por pessoa — e serve como porta de entrada para dezenas de programas sociais. É através dele que o governo identifica quem tem direito ao Bolsa Família (que transfere dinheiro direto para famílias pobres), ao Benefício de Prestação Continuada (BPC, voltado para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) e a outros auxílios federais, estaduais e municipais. Atualmente, mais de 90 milhões de brasileiros estão cadastrados no sistema, segundo dados públicos do MDS.
A flexibilização atinge especificamente as famílias unipessoais — aquelas formadas por apenas uma pessoa. Antes, mesmo quem morava sozinho precisava receber um agente social em casa para validar a inscrição, o que gerava atrasos e dificuldades operacionais, especialmente em municípios com equipes reduzidas. Agora, a ausência da entrevista não poderá impedir a inscrição, atualização ou manutenção de benefícios para esse perfil. A medida não se aplica, porém, a casos de averiguação cadastral — quando há indícios de irregularidade nos dados informados — nem ao ingresso inicial no Bolsa Família, que continuam exigindo a visita presencial.
Comparação internacional
A título de comparação, países como o Chile e a Argentina também utilizam cadastros unificados para programas sociais, mas adotam estratégias diferentes. No Chile, o Registro Social de Hogares combina dados autodeclarados com cruzamento automático de informações fiscais e previdenciárias, reduzindo a necessidade de visitas domiciliares. Já na Argentina, o sistema de Asignación Universal por Hijo exige comprovação documental, mas não visitas obrigatórias para todos os perfis. A experiência internacional sugere que a digitalização e o cruzamento de bases de dados podem substituir parte das verificações presenciais sem comprometer a precisão do cadastro.
Impacto operacional
Segundo estudo recente citado pela própria fonte, a automatização e qualificação de cadastros poderia gerar economia de até R$ 22 bilhões com programas sociais, ao reduzir fraudes e melhorar a focalização dos benefícios. A dispensa temporária da entrevista para famílias unipessoais pode acelerar o atendimento e reduzir filas, mas também exige reforço nos mecanismos de cruzamento de dados para evitar inconsistências. O MDS não divulgou estimativas sobre quantas pessoas serão beneficiadas pela mudança, mas dados do IBGE indicam que cerca de 15% dos domicílios brasileiros são unipessoais — proporção que vem crescendo nas últimas décadas, especialmente nas grandes cidades.
📊 Número do Dia
Julho de 2027 , Prazo final da dispensa temporária da entrevista domiciliar para famílias unipessoais no Cadastro Único
Por que isso importa
Para o cidadão que mora sozinho e depende de programas sociais, a mudança significa menos burocracia e acesso mais rápido a benefícios essenciais. Para os municípios, representa alívio operacional em um momento de alta demanda por cadastramento. Mas a medida é temporária: em 2027, o governo precisará decidir se torna a flexibilização permanente ou se investe em sistemas digitais mais robustos para substituir as visitas presenciais sem comprometer a segurança do cadastro.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/23/entrevista-deixa-de-ser-obrigatoria-para-inscricao-no-cadastro-unico-entenda.ghtml


