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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Simuladores de esqui movimentam mercado de luxo em São Paulo

São Paulo ganhou quatro centros de treinamento de esqui e snowboard desde maio de 2024, com oito pistas que reproduzem condições de neve e montanha. Os espaços registram alta demanda e atraem tanto iniciantes quanto praticantes experientes.

São Paulo ganha 4 centros de esqui indoor desde 2024, com aulas de até R$ 350. Mercado de luxo aquecido revela nicho de serviços premium na capital.

A capital paulista vive um boom de simuladores de esqui e snowboard voltados ao público de alta renda. Desde maio de 2024, quatro espaços foram inaugurados — Slopes, Movitta, Born to Ski e Beyond the Club —, somando oito pistas que reproduzem diferentes condições de neve, níveis de inclinação e percursos de montanha. Segundo reportagem do jornal O Globo, alguns desses centros chegaram a registrar 100% de ocupação durante seis meses consecutivos.

Os equipamentos funcionam de duas formas principais. Na Born to Ski e no Beyond the Club, uma esteira inclinada coberta por tapete de fibra plástica hidratada simula a textura da neve. Já na Slopes e na Movitta, simuladores da marca americana SkyTech Sports — que custam cerca de R$ 1 milhão cada — reproduzem a biomecânica exata do esqui com pistas móveis que se movem lateralmente, telas que simulam descidas de montanha e métricas de desempenho em tempo real. É como treinar num videogame, mas com esforço físico real e equipamento profissional.

O perfil dos alunos revela um nicho específico: na Born to Ski, 55% são homens e 45% mulheres, com faixa etária predominante entre 35 e 55 anos. As aulas custam entre R$ 300 e R$ 350 por sessão de uma hora — no Beyond the Club, é necessário ter título de associado que ultrapassa R$ 600 mil. Aproximadamente 80% dos alunos têm viagens programadas para destinos de neve, segundo Marco Parizotto, gerente de relações institucionais da Born to Ski. A Born to Ski registra média de 84 alunos por dia, ou cerca de 2.500 aulas mensais.

Comparação internacional

O fenômeno paulistano reflete uma tendência global de simuladores indoor para esportes de neve em cidades sem acesso natural a montanhas. A título de comparação, Dubai — outra metrópole tropical — abriga desde 2005 o Ski Dubai, complexo indoor com pista de esqui real refrigerada a -4°C dentro de um shopping, que recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano. A diferença é que os simuladores paulistanos focam em treinamento técnico e condicionamento físico, não em entretenimento de massa, o que explica os preços elevados e o público mais restrito.

Os equipamentos permitem ajustes precisos: é possível alterar a inclinação, a velocidade, inserir obstáculos virtuais e até mudar a textura da neve simulada. Flavio Melo, treinador de instrutores no Beyond the Club, explica que “o esqui é uma modalidade não intuitiva” — tudo o que parece certo (jogar o corpo para trás, abrir as pernas) é exatamente o oposto do necessário. Por isso, o ambiente controlado com barras de apoio, espelho e auxílio constante do professor facilita o aprendizado inicial.

Expansão do mercado

A demanda tem impulsionado planos de expansão. A Born to Ski, que inaugurou em outubro de 2025 na Vila Olímpia, abrirá nova unidade em Pinheiros em agosto de 2026. Nas unidades da Movitta e Slopes, a procura aumenta conforme se aproxima a temporada de neve no hemisfério norte (dezembro a março), chegando a cerca de 50 atendimentos diários na alta temporada. Além do preparo para viagens, os responsáveis afirmam que a atividade vem se consolidando como modalidade de condicionamento físico — cada sessão trabalha cardio (capacidade cardiovascular) e musculatura de forma intensa.

📊 Número do Dia

R$ 1 milhão , Custo de cada simulador SkyTech Sports usado pela Slopes e Movitta, o mesmo equipamento utilizado pela equipe americana de esqui

Por que isso importa

O surgimento desse mercado revela três movimentos econômicos simultâneos: a consolidação de um segmento de serviços de luxo em São Paulo, a diversificação do setor de fitness premium (que vai além de academias tradicionais) e a formação de uma cadeia de consumo ligada ao turismo internacional — já que 80% dos alunos têm viagens programadas. Para empresas do setor de turismo e equipamentos esportivos, representa uma oportunidade de capturar gastos antes concentrados apenas nos destinos finais. Para o cidadão comum, sinaliza o aprofundamento da desigualdade no acesso a atividades de lazer: enquanto uma aula custa até R$ 350, o salário mínimo brasileiro em 2026 é de R$ 1.518.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/07/19/let-it-go-a-paulistana-snowboard-e-esqui-na-neve-viram-febre-na-maior-metropole-do-pais.ghtml