São Paulo e Santa Catarina estão no epicentro do mais recente tarifaço americano contra o Brasil. Dos US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras atingidas pelas tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos, US$ 3,8 bilhões têm origem nesses dois estados, segundo dados da ApexBrasil, a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos. As novas tarifas entram em vigor em 22 de julho e afetam 19,2% do total exportado ao país norte-americano.
São Paulo, o estado economicamente mais forte do país, concentra sozinho 41,6% do valor total das exportações afetadas — cerca de US$ 3 bilhões. Isso representa 20% de tudo o que São Paulo vende aos Estados Unidos. Santa Catarina, por sua vez, enfrenta uma situação proporcionalmente mais crítica: 68% de suas exportações aos EUA foram atingidas pelas tarifas. Para entender a dimensão: é como se sete em cada dez produtos que Santa Catarina vende aos americanos ficassem 25% mais caros da noite para o dia.
Madeira e granito no centro do conflito
O setor madeireiro do Paraná deve sofrer impacto severo. Segundo a ApexBrasil, 30% de toda a madeira importada pelos Estados Unidos vem do Brasil, e 66,7% desse total tem origem no Paraná. O granito, material amplamente usado na construção civil americana, também entrou na lista: 36% do granito importado pelos EUA vem do Brasil. “Não há como, de uma hora para outra, o americano buscar madeira ou granito em outro local com essa dependência”, comentou Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.
A título de comparação, tarifas comerciais dessa magnitude são raras entre parceiros comerciais tradicionais. A União Europeia, por exemplo, mantém tarifas médias de 5% sobre produtos industrializados, enquanto os EUA agora impõem 25% sobre produtos brasileiros específicos. O governo brasileiro rejeita as justificativas americanas de práticas “desleais” no comércio e anunciou um plano de R$ 130 milhões para auxiliar empresas afetadas a diversificarem seus mercados de exportação.
Efeito bumerangue
As tarifas devem impactar não apenas exportadores brasileiros, mas também consumidores americanos. Com 30% da madeira para construção vindo do Brasil, o encarecimento deve pressionar os preços de casas nos Estados Unidos. “Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana”, alertou Müller. A medida ilustra como barreiras comerciais funcionam como um bumerangue: ao encarecer importações, o país que impõe a tarifa também encarece produtos para seus próprios cidadãos.
📊 Número do Dia
US$ 3,8 bilhões — Valor das exportações de SP e SC afetadas pelo tarifaço americano de 25%
Por que isso importa
Para empresas exportadoras de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, especialmente dos setores madeireiro e de granito, a tarifa de 25% reduz drasticamente a competitividade nos EUA, principal destino de muitas dessas vendas. Para o trabalhador brasileiro, isso significa risco de demissões e redução de investimentos nesses setores. Para o consumidor americano, significa casas e reformas mais caras. O plano de R$ 130 milhões da ApexBrasil busca abrir novos mercados, mas a transição leva tempo — e empresas menores podem não sobreviver até lá.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/sao-paulo-e-santa-catarina-sofrem-52-do-impacto-do-tarifaco-dos-eua


