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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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Brasil busca Índia para reduzir dependência dos EUA

O Brasil assinou nesta quinta-feira (27) um memorando de entendimento com a Índia para ampliar o comércio bilateral, em movimento que busca diversificar parceiros comerciais enquanto negocia com os Estados Unidos a redução das sobretaxas impostas a produtos brasileiros.

Brasil assina acordo com Índia para alcançar US$ 20 bi em comércio bilateral até 2030, enquanto negocia redução de tarifas americanas na próxima segunda.

O governo brasileiro fechou acordo com a Índia para impulsionar o comércio entre os dois países, numa estratégia de reduzir a dependência do mercado americano. O memorando assinado entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas estabelece a meta de alcançar US$ 20 bilhões em comércio bilateral até 2030 — valor 31% superior aos US$ 15,2 bilhões registrados em 2025, segundo a Agência Brasil.

A iniciativa ganha relevância no contexto das tensões comerciais com os Estados Unidos. Na próxima segunda-feira (31), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, terá reunião virtual com o representante de Comércio dos EUA para discutir as tarifas impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros. O chanceler Mauro Vieira também participará do encontro, que marca a retomada das negociações após conversa telefônica entre os presidentes Lula e Trump.

O que está em jogo

A relação comercial Brasil-Índia cresceu 82% nos últimos anos, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento. Em 2025, as exportações brasileiras para a Índia somaram quase US$ 7 bilhões — o maior valor em duas décadas. As importações de produtos indianos ultrapassaram US$ 8,4 bilhões. Para efeito de comparação, o comércio bilateral entre Brasil e China, nosso maior parceiro, ultrapassou US$ 150 bilhões no mesmo período, segundo dados públicos do Ministério da Economia.

O acordo prevê intercâmbio de informações sobre mercados, compartilhamento de boas práticas, promoção de feiras e incentivo à internacionalização de pequenas e médias empresas. A ApexBrasil identificou 378 oportunidades para produtos brasileiros no mercado indiano, concentradas em setores como agronegócio, indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis e fertilizantes. É como se o Brasil estivesse abrindo 378 novas portas de entrada num mercado de 1,4 bilhão de consumidores.

Comparação internacional

A estratégia brasileira espelha movimentos de outros países emergentes que buscam reduzir a exposição ao mercado americano. A Índia, por exemplo, diversificou suas exportações após tensões comerciais com a China e hoje mantém acordos comerciais com mais de 50 países. O Brasil, que historicamente concentrou suas exportações em poucos parceiros, tenta agora replicar esse modelo de diversificação.

Atualmente, a Índia é o décimo principal destino das exportações brasileiras, enquanto o Brasil ocupa apenas a 26ª posição entre os fornecedores do mercado indiano — uma assimetria que o governo pretende corrigir. O atual acordo de preferências tarifárias entre Mercosul e Índia contempla 450 linhas de produtos (classificações específicas por tipos e subtipos), número que o governo pretende ampliar.

A negociação com Washington

Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, a reunião de segunda-feira poderá discutir listas de exceções tarifárias e a possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade — mecanismo que permitiria ao Brasil impor tarifas equivalentes às americanas. O governo afirma que não apresentará concessões unilaterais antecipadamente, mantendo posição de defesa dos interesses nacionais.

Entre as medidas de proteção às empresas brasileiras afetadas pelas sobretaxas americanas está o programa Brasil Soberano e a extensão do regime de drawback (mecanismo que permite a empresas exportadoras importar insumos sem pagar impostos) por um ano adicional. A estratégia combina, portanto, duas frentes: tentar reduzir os efeitos das medidas comerciais dos EUA enquanto abre novas rotas para exportações e investimentos.

📊 Número do Dia

US$ 20 bilhões — Meta de comércio bilateral entre Brasil e Índia até 2030, valor 31% superior ao registrado em 2025

Por que isso importa

Para o exportador brasileiro, a diversificação de mercados reduz o risco de depender excessivamente dos Estados Unidos, que podem impor barreiras comerciais a qualquer momento. Para o cidadão, a ampliação do comércio com a Índia pode significar mais empregos em setores como agronegócio e indústria, além de acesso a produtos indianos mais baratos, como medicamentos e fertilizantes. Para o governo, a estratégia fortalece o poder de barganha nas negociações com Washington, mostrando que o Brasil tem alternativas caso as tarifas americanas se mantenham.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/brasil-amplia-comercio-com-india-e-retoma-dialogo-sobre-tarifaco