O Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores públicos do Rio de Janeiro, perdeu R$ 641,4 milhões em investimentos administrados pelo Grupo Master, atualmente em liquidação extrajudicial (processo em que o Banco Central assume a gestão de uma instituição financeira com problemas graves). A Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ) protocolou três ações judiciais para recuperar os recursos, concentrando-se em dois fundos: Revolution e Texas I FIA.
No caso do Texas I FIA, a perda de R$ 135,1 milhões está ligada a uma suposta manipulação do preço das ações da empresa Ambipar. Segundo a PGE, entre julho e agosto de 2024, a gestora Trustee DTVM — investigada na Operação “Carbono Oculto” por lavagem de dinheiro — comprou maciçamente os papéis da Ambipar, inflando artificialmente seu valor. É como se alguém comprasse todos os ingressos de um show para fazer parecer que está esgotado e depois vendesse por preço muito mais alto. O Rioprevidência comprou cotas do fundo quando o preço estava inflado e amargou prejuízo quando a bolha estourou.
O fundo Texas I FIA chegou a descumprir regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM, o órgão que fiscaliza o mercado financeiro no Brasil). Em novembro de 2025, mantinha apenas 31% do patrimônio em ações, quando a regra para fundos de ações exige no mínimo 67%. Para comparação, seria como um restaurante que se diz especializado em frutos do mar, mas serve apenas 30% de peixes e camarões no cardápio — uma propaganda enganosa que prejudica quem escolheu o local justamente pela especialidade.
Já no fundo Revolution, onde o Rioprevidência investiu R$ 481,4 milhões, a acusação é diferente. A gestora Acura teria votado favoravelmente a mudanças no regulamento de outro fundo (FIDC Eicon) que prejudicaram os próprios cotistas, incluindo o Rioprevidência. As alterações incluíram a renúncia a direitos de voto e o aumento de 48 meses no prazo para resgatar o dinheiro investido — imagine descobrir que seu prazo fixo no banco, que venceria em 2 anos, foi unilateralmente estendido para 6 anos.
A PGE pede o bloqueio imediato de bens dos réus, incluindo imóveis, veículos, ações, marcas e até criptomoedas. O caso expõe a vulnerabilidade de fundos de pensão públicos, que administram recursos de milhares de servidores e dependem de gestores externos para investir. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), os fundos de pensão brasileiros administram cerca de R$ 1,2 trilhão — o equivalente a 12% do PIB nacional.
📊 Número do Dia
R$ 641,4 milhões , Valor perdido pelo fundo de pensão dos servidores públicos do Rio em investimentos administrados pelo Grupo Master
Por que isso importa
O caso afeta diretamente a segurança das aposentadorias de milhares de servidores públicos do Rio de Janeiro e expõe falhas na fiscalização de fundos de investimento no Brasil. Para o cidadão, demonstra como recursos públicos destinados a garantir benefícios futuros podem ser dilapidados por gestores inescrupulosos. Para o mercado financeiro, reforça a necessidade de controles mais rígidos sobre gestoras e a importância da devida diligência na escolha de investimentos por fundos de pensão, que administram trilhões de reais da poupança dos brasileiros.


