Os brasileiros com mais de 60 anos estão redesenhando o mapa do turismo nacional. Segundo pesquisa inédita da consultoria data8, apoiada pelo Ministério do Turismo, 79% dos viajantes dessa faixa etária embarcam ao menos duas vezes por ano, e 52% viajam três vezes ou mais — uma frequência que supera a de muitos trabalhadores ativos, limitados por férias anuais. O estudo ouviu 1.012 brasileiros nas cinco regiões do país entre março e abril deste ano.
A autonomia financeira é marca registrada desse público. Entre os viajantes 60+, 96% pagam a própria viagem, arcando integralmente ou dividindo as despesas com o cônjuge. Além disso, 87% não dependem de datas específicas como feriados e férias escolares para embarcar — o que significa que podem viajar em períodos de baixa temporada, quando hotéis e passagens custam menos e os destinos estão mais vazios.
“É um público muito potencial para o turismo. A população está envelhecendo, com saúde, e o desejo de viajar é algo muito relevante nesta geração”, afirma Cléa Klouri, cofundadora do data8. Segundo a pesquisa, viajar fica abaixo apenas de “manter-se saudável” na lista de prioridades desse grupo. Para 59% dos entrevistados, a viagem ideal oferece liberdade para fazer escolhas no próprio ritmo, seguida por segurança e previsibilidade (50%) e conforto físico e emocional (48%).
Perfil dos viajantes maduros
Os modelos de viagem variam. Há a clássica reunião familiar, mas também crescem as viagens de carro para destinos próximos — especialmente entre a classe mais alta — e grupos de amigos, principalmente mulheres. Entre as mulheres maduras, 17% viajam sozinhas, 23% com amigos e 31% com filhos ou netos. Já entre os homens, 75% viajam com seus cônjuges. Praia lidera entre os destinos preferidos (72%), seguida por cidades históricas (42%) e campo e montanha (34%).
A população com mais de 50 anos já representa 61 milhões de brasileiros — 28% da população total. Até 2050, o Brasil deve se tornar o sexto país mais velho do mundo, segundo projeções demográficas. A título de comparação, no Japão — já um dos países mais envelhecidos — os viajantes acima de 60 anos respondem por cerca de 40% do mercado de turismo doméstico, segundo dados da Agência de Turismo japonesa.
Setor ainda precisa se adaptar
Apesar da importância econômica desse público, o setor de turismo brasileiro ainda patina na adaptação. Segundo a pesquisa, 74% dos viajantes 60+ não sentem que as experiências de viagem são pensadas para sua faixa etária. Embora 64% utilizem aplicativos de viagem para pesquisar destinos e 25% já recorram a ferramentas como o ChatGPT, muitos preferem suporte humano no momento da compra — e encontram dificuldades no atendimento.
“As equipes precisam ser treinadas ao atendimento, pois é um público que exige atenção maior”, avalia Cléa Klouri. Além disso, os viajantes maduros buscam experiências — como aulas de cerâmica ou passeios culturais —, mas os roteiros oferecidos costumam ter ritmo intenso demais, sem considerar a necessidade de mais calma e horários alternativos.
📊 Número do Dia
96% , dos viajantes 60+ pagam a própria viagem, sem depender de filhos ou terceiros
Por que isso importa
Para o setor de turismo, esse público representa uma oportunidade de preencher vagas em períodos de baixa temporada e aumentar a receita com viajantes frequentes e financeiramente independentes. Para o cidadão maduro, significa mais liberdade para viajar com autonomia. Mas para que o potencial se realize plenamente, hotéis, agências e companhias aéreas precisam adaptar atendimento, ritmo de roteiros e experiências às necessidades reais desse grupo — que só tende a crescer nas próximas décadas.
Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/07/com-mais-autonomia-brasileiros-60-sao-importantes-para-setor-de-turismo.ghtml


