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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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E-commerce cria nova fonte de renda para pequenos negócios

O comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom). Nesse cenário de expansão, grandes marketplaces como Shopee, Magalu, Amazon e Mercado Livre passaram a integrar pequenos negócios físicos em suas redes logísticas, criando uma nova fonte de receita para empreendedores locais.

E-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bi em 2025. Marketplaces transformam pequenos negócios em pontos de retirada, gerando até R$ 30 mil/ano em renda extra.

Pequenos estabelecimentos comerciais estão ganhando uma fonte adicional de renda ao se tornarem pontos de retirada e entrega de compras feitas pela internet. O modelo funciona assim: uma papelaria, farmácia ou mercadinho se cadastra em plataformas como Shopee, Magalu ou Mercado Livre e passa a receber pacotes que os clientes compram on-line. Quando alguém vai buscar sua encomenda, muitas vezes aproveita para comprar algo na própria loja — é como transformar cada entrega em uma oportunidade de venda.

Os números mostram o potencial do negócio. A Shopee já conta com mais de 3 mil pontos de retirada espalhados por mais de 800 cidades brasileiras, sendo 90% deles pequenos negócios. O Magalu mantém 1.600 pontos, dos quais 355 são pequenas empresas parceiras. Segundo a Amazon, estabelecimentos que participam do programa Amazon Hub Delivery podem receber até R$ 30 mil por ano em renda adicional realizando entregas diariamente em suas regiões.

Como funciona na prática

Edson Batista, de 37 anos, dono da Papelaria Ponto BR no Centro do Rio, cadastrou seu estabelecimento em seis empresas como ponto de retirada. Ele estima que cerca de 200 pessoas passem pela loja diariamente por causa das entregas — movimento que se traduz em vendas extras de produtos da papelaria. “Dá até um fôlego para pagar o funcionário e dar um levante no faturamento da loja”, relata Batista ao Extra.

A remuneração varia conforme a plataforma. No Magalu, por exemplo, cada pacote registrado rende R$ 0,50 para a agência parceira. Pode parecer pouco, mas o volume compensa: com dezenas ou centenas de pacotes por dia, a receita se acumula. Além do pagamento direto, o principal benefício é o aumento no fluxo de clientes — pessoas que entram para buscar uma encomenda e acabam comprando outros produtos.

Por que os marketplaces apostam nesse modelo

A estratégia reflete a disputa acirrada no comércio eletrônico brasileiro, onde a velocidade de entrega tornou-se um diferencial competitivo. “Quem entrega rápido sai na frente e tem a preferência do consumidor”, explica Marcelo Carvalho, professor de Gestão e Negócios da Estácio. Ter pontos de retirada espalhados pelas cidades reduz a distância até o cliente final e torna as entregas mais ágeis e baratas.

A título de comparação, nos Estados Unidos, a Amazon desenvolveu modelo semelhante com os Amazon Lockers (armários automatizados) e parcerias com lojas físicas, mas o Brasil inovou ao focar em pequenos negócios locais em vez de apenas instalar equipamentos. Essa abordagem brasileira gera impacto social ao distribuir renda para empreendedores de bairro, especialmente em comunidades onde o acesso a serviços logísticos era limitado.

Como se tornar um ponto de retirada

Os requisitos variam por plataforma, mas geralmente incluem: ter CNPJ ativo, espaço físico para armazenar pacotes, computador ou smartphone para registrar entregas e, em alguns casos, impressora térmica. A Shopee exige ainda inscrições estadual e municipal, enquanto o Magalu pede conta no MagaluPay para receber os pagamentos. O cadastro é feito on-line e, após aprovação, o estabelecimento recebe treinamento.

Para quem prefere atuar como entregador parceiro, as plataformas também oferecem programas. É necessário ter veículo próprio com documentação em dia, CNH válida e CNPJ como MEI (Microempreendedor Individual — categoria que permite formalizar pequenos negócios com tributação simplificada). A Shopee conta atualmente com mais de 45 mil motoristas parceiros em todo o país nesse modelo.

📊 Número do Dia

R$ 235,5 bilhões , Faturamento do e-commerce brasileiro em 2025, alta de 15,3% sobre 2024, segundo a Abiacom

Por que isso importa

Para o pequeno empreendedor, tornar-se ponto de retirada representa uma fonte de renda adicional previsível e a oportunidade de atrair novos clientes para o negócio principal. Para o consumidor, significa mais conveniência, com pontos de retirada próximos de casa e horários flexíveis. Para a economia, o modelo distribui parte da receita do comércio eletrônico — setor que cresce acima de 15% ao ano — para milhares de pequenos negócios espalhados pelo país, gerando empregos e renda em bairros e comunidades.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/07/pequenos-negocios-ganham-nova-fonte-de-renda-como-pontos-de-retirada-de-compras-on-line-veja-como-se-tornar-um.ghtml