Pular para o conteúdo
segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Rússia suspende exportação de diesel e pressiona mercado brasileiro

A Rússia anunciou nesta quarta-feira (8) uma proibição temporária das exportações de diesel por aproximadamente três semanas, após ataques ucranianos a refinarias causarem escassez no mercado doméstico. A medida acende o alerta no Brasil, terceiro maior comprador do diesel russo no mundo.

Rússia suspende exportação de diesel por 3 semanas após ataques ucranianos. Brasil, 3º maior comprador, pode sentir impacto nos preços do combustível.

A Rússia cortou temporariamente as exportações de diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e a produção agrícola, após uma série de ataques com drones ucranianos a refinarias estratégicas. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak anunciou a medida durante reunião com o presidente Vladimir Putin, afirmando que a proibição visa ampliar a oferta no mercado doméstico russo, onde longas filas por combustível já destroem a ilusão de normalidade mesmo após anos de guerra.

A decisão tem impacto direto no Brasil. Desde 2023, o país passou a importar diesel russo com desconto — barris que haviam sido deslocados dos mercados europeus após sanções —, tornando-se o terceiro maior comprador, atrás apenas de China e Turquia. No ano passado, a Rússia respondeu por cerca de 11% do fornecimento mundial de diesel, segundo dados da consultoria Vortexa compilados pela Bloomberg. Para entender a dimensão: é como se um em cada dez caminhões no mundo dependesse do combustível russo.

O mercado internacional já reagiu com força. O prêmio dos contratos futuros de diesel na Europa em relação ao petróleo bruto — indicador que mede a diferença de preço entre o combustível refinado e o petróleo cru — ultrapassou US$ 60 por barril, o maior nível desde pelo menos 2011. A situação se agrava porque o mercado global de combustíveis já enfrentava restrições de oferta devido à guerra envolvendo o Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte de petróleo no mundo.

Refinarias russas sob ataque

A intensificação dos ataques da Ucrânia reduziu a taxa de processamento de petróleo bruto da Rússia aos menores níveis em vários anos. Mesmo elevando ao máximo a utilização das refinarias em operação e recorrendo aos estoques estratégicos, “a situação continua desafiadora”, admitiu Novak. Em diversas regiões do país, as autoridades foram obrigadas a adotar algum tipo de racionamento de combustíveis.

Os números do varejo russo ilustram a pressão: o preço médio do diesel subiu 3,4% na semana encerrada entre 30 de junho e 6 de julho, para 87,76 rublos (US$ 1,15) por litro — a maior alta semanal desde dezembro de 2010. Segundo o Serviço Federal de Estatísticas da Rússia, trata-se de um salto sem precedentes em mais de 15 anos. A título de comparação, nos Estados Unidos, segundo maior exportador mundial de diesel, os preços têm se mantido relativamente estáveis, o que pode atrair ainda mais demanda para o mercado americano.

Medidas emergenciais

Para tentar conter a crise, o governo russo anunciou que passará a importar derivados de petróleo e produzir volumes adicionais de combustíveis de categoria ambiental inferior (ou seja, mais poluentes, mas mais rápidos de refinar). A proibição de exportação, que não se aplica a acordos intergovernamentais, permanecerá em vigor até 31 de julho, segundo comunicado oficial. O governo também prorrogou por mais um ano a alíquota zero de imposto de importação para derivados de petróleo.

Mesmo antes da proibição formal, as exportações russas de diesel já vinham despencando. Os embarques realizados em junho recuaram mais da metade em relação ao mesmo período do ano anterior, e os dados dos cinco primeiros dias de julho indicam poucos sinais de recuperação significativa, segundo a Vortexa.

📊 Número do Dia

11% , Fatia do fornecimento mundial de diesel controlada pela Rússia em 2025, tornando o país peça-chave no mercado global de combustíveis

Por que isso importa

Para o cidadão brasileiro, a proibição russa pode pressionar os preços do diesel nos postos, combustível que representa cerca de 50% do custo do frete rodoviário no país. Para as empresas, especialmente do agronegócio e transporte, o cenário exige atenção: o Brasil depende do diesel para escoar a produção, e qualquer alta no combustível encarece desde o pão até a soja exportada. Para o governo, a situação complica ainda mais a discussão sobre a retirada dos subsídios aos combustíveis, já adiada devido à escalada do conflito no Irã — agora, com a Rússia fora do mercado temporariamente, a pressão sobre os preços tende a aumentar.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/08/russia-proibe-exportacoes-de-diesel-apos-ataques-da-ucrania-a-refinarias.ghtml