As novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros devem se somar, criando uma alíquota combinada de 37,5% sobre parte das exportações. Esse percentual resulta da combinação de duas taxas: 25% aplicada devido a uma investigação sobre práticas comerciais consideradas “injustas” pelo governo americano, e 12,5% relacionada a falhas na proibição de produtos fabricados com trabalho forçado — esta última atinge 60 países, não apenas o Brasil.
Para entender melhor: quando um produto brasileiro chega aos Estados Unidos, ele precisa pagar uma taxa de importação (como um pedágio na fronteira). Antes, essa taxa era de 10% para todos os países; agora, produtos brasileiros podem pagar até 37,5%, tornando-os muito mais caros para o consumidor americano. É como se o preço de uma mercadoria que custava US$ 100 passasse a custar US$ 137,50 apenas por causa dos impostos de entrada.
Quais produtos são afetados?
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a taxação de 25% deve atingir 21% da pauta exportadora brasileira — ou seja, cerca de um quinto de tudo que o Brasil vende aos Estados Unidos. Já a tarifa de 12,5% terá abrangência maior, embora exclua produtos importantes como carne bovina, café, frutas e legumes selecionados, farmacêuticos, químicos orgânicos e peças de aeronaves, segundo análise da consultoria Buysidebrazil.
Ambas as medidas ainda passarão por consulta pública antes de entrarem em vigor, o que deve acontecer apenas no mês que vem. Isso significa que empresas e entidades do setor privado poderão apresentar argumentos para tentar reduzir o escopo das tarifas.
Comparação internacional
A título de comparação, a União Europeia aplica tarifas médias de cerca de 5% sobre produtos importados, enquanto a China tem taxas que variam entre 7% e 10% para a maioria dos bens. As novas tarifas americanas sobre o Brasil são, portanto, significativamente mais altas que a média global, refletindo uma postura protecionista mais agressiva da administração Trump.
Para João Carmo, economista da 4Intelligence, a tarifa de 12,5% parece substituir a taxa de 10% que valia para todos os países e foi derrubada pela Suprema Corte americana em fevereiro. “Não tem como confirmar isso sem pronunciamentos que falem nesse sentido, mas parece ser uma tarifa que substitui a outra mesmo, e esse timing de surgir essa nova tarifa no momento que vai vencer a anterior também aponta nessa direção”, afirma.
Capacidade de adaptação
O impacto sobre a balança comercial brasileira (a diferença entre o que o país exporta e importa) deve ser semelhante às taxas anteriores, segundo Carmo. O efeito global não deve ser muito grande porque o Brasil tem capacidade de redirecionar exportações para outros mercados — estratégia que funcionou bem após o tarifaço do ano passado, quando empresas brasileiras encontraram compradores alternativos na Ásia e Europa.
Contudo, o economista alerta que as novas tarifas devem ser mais difíceis de revogar, pois têm amparo jurídico mais forte que as anteriores. O governo brasileiro também entende que a taxação não é direcionada especificamente ao país, mas resultado de uma estratégia da Casa Branca para recompor as tarifas derrubadas pela Suprema Corte.
📊 Número do Dia
37,5% , Taxa máxima que pode incidir sobre produtos brasileiros nos EUA com a soma das novas tarifas
Por que isso importa
Para empresas brasileiras que exportam aos Estados Unidos, os custos de venda podem aumentar significativamente, reduzindo a competitividade. Para o cidadão, o impacto depende da capacidade do Brasil de redirecionar vendas para outros mercados — se bem-sucedida, a estratégia pode preservar empregos no setor exportador; caso contrário, setores dependentes do mercado americano podem enfrentar demissões. Para investidores, a incerteza comercial aumenta o risco de empresas expostas aos EUA, mas favorece aquelas com diversificação geográfica de clientes.












