A economia brasileira voltou a ganhar fôlego no início de 2026, crescendo 1,1% no primeiro trimestre em comparação com os três meses anteriores. O número, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio exatamente em linha com as expectativas de analistas de mercado consultados pelo jornal Valor. Para entender a dimensão: é como se a economia tivesse saído de uma marcha lenta e voltado a acelerar, depois de praticamente não ter andado no segundo semestre de 2025.
O freio do ano passado teve uma causa clara: os juros altos. Quando o Banco Central eleva a taxa Selic (o juro básico da economia, que influencia todas as outras taxas do país), fica mais caro tomar empréstimos e financiamentos, o que desestimula o consumo das famílias. No terceiro e quarto trimestres de 2025, esse efeito se fez sentir com força, travando o crescimento. O Brasil havia encerrado 2025 com expansão acumulada de 2,3% — ritmo considerado moderado para uma economia emergente.
A virada no primeiro trimestre de 2026 veio de duas frentes principais. Primeiro, o governo aumentou seus gastos, funcionando como um motor adicional para a economia. A isenção do Imposto de Renda, que entrou em vigor em janeiro, deixou mais dinheiro no bolso dos trabalhadores — é como se todos tivessem recebido um pequeno aumento de salário. Além disso, a valorização real do salário mínimo (ou seja, acima da inflação) também ajudou a sustentar o consumo das famílias, segundo análise de Antonio Ricciardi, economista do banco Daycoval.
Pelo lado da produção, a agropecuária foi destaque, puxada pela supersafra de soja colhida entre o primeiro e o segundo trimestres. As exportações também tiveram bom desempenho, com soja e petróleo liderando as vendas ao exterior. A indústria extrativa (que inclui mineração e petróleo) e o setor de serviços completaram o quadro de crescimento. A título de comparação, economias desenvolvidas como os Estados Unidos e a zona do euro costumam crescer entre 1,5% e 2,5% ao ano — o Brasil, como economia emergente, precisa de ritmos superiores para reduzir a distância de renda per capita.
O mercado de trabalho ainda robusto foi outro pilar importante. Com o desemprego em níveis historicamente baixos, mais brasileiros com carteira assinada significam mais gente com renda regular para consumir, o que alimenta a atividade econômica. Esse círculo virtuoso, porém, enfrenta o desafio dos juros elevados, que continuam pressionando setores dependentes de crédito, como a construção civil e a venda de bens duráveis.
📊 Número do Dia
1,1% , Crescimento do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2026, revertendo a estagnação do segundo semestre de 2025
Por que isso importa
Para o cidadão, o crescimento econômico pode significar mais empregos e manutenção da renda, especialmente com a isenção do IR e a valorização do salário mínimo. Para empresas, o cenário é misto: setores ligados ao consumo e exportação se beneficiam, mas os juros altos ainda encarecem investimentos e financiamentos. Para investidores, o dado confirma que a economia resiste aos juros elevados no curto prazo, mas a sustentabilidade desse crescimento dependerá da trajetória da Selic nos próximos trimestres.
Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/05/pib-brasileiro-fica-em-11percent-no-primeiro-trimestre-deste-ano.ghtml












