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Mianmar propõe prisão perpétua para golpistas de criptomoedas

Mianmar propõe penas de até prisão perpétua e pena de morte para fraudes com criptomoedas. Entenda a proposta e o que muda para investidores brasileiros.
O governo militar de Mianmar apresentou um projeto de lei que propõe penas de dez anos de prisão até prisão perpétua para condenados por fraudes envolvendo criptomoedas, segundo reportou a Cointelegraph em 15 de maio de 2025. Em casos extremos, o texto prevê até pena de morte.

O projeto de lei anti-fraude online de Mianmar estabelece punições severas para crimes envolvendo ativos digitais. Conforme o texto do Anti-Online Fraud Bill divulgado pela Cointelegraph, qualquer pessoa condenada por “fraude com moeda digital” (termo usado para criptomoedas, que são ativos digitais descentralizados como Bitcoin e Ethereum) pode enfrentar penas que variam de dez anos de prisão até prisão perpétua. Em situações consideradas extremas pela lei, a pena de morte também está prevista.

Para contextualizar a severidade dessas punições: no Brasil, crimes financeiros como estelionato (que incluiria fraudes com criptomoedas) têm pena máxima de cinco anos de reclusão, segundo o Código Penal brasileiro. A proposta de Mianmar representa uma das legislações mais duras do mundo para crimes envolvendo criptoativos. A título de comparação, mesmo em países com regulação rigorosa como os Estados Unidos, fraudes cripto geralmente resultam em penas de alguns anos de prisão e multas, raramente ultrapassando duas décadas.

O contexto político de Mianmar é importante para entender a medida. O país vive sob governo militar desde um golpe de Estado em 2021, e tem enfrentado crescimento de atividades ilícitas online, incluindo esquemas de pirâmide financeira e fraudes envolvendo ativos digitais. A proposta reflete uma tendência global de governos buscarem formas de coibir crimes no ecossistema cripto, mas com abordagem punitiva extrema.

Para o investidor brasileiro, a notícia serve como lembrete da importância de operar apenas em plataformas reguladas e registradas junto aos órgãos competentes. No Brasil, exchanges (plataformas de compra e venda de criptomoedas) precisam estar registradas no Banco Central desde 2022, seguindo regras de prevenção à lavagem de dinheiro. Embora o Brasil não adote penas tão severas quanto Mianmar, a Lei 14.478/2022 já criminaliza fraudes envolvendo ativos virtuais, com penas que podem chegar a oito anos de reclusão quando há dano a grande número de pessoas.

Segundo conhecimento de mercado, países do Sudeste Asiático têm sido palco de grandes esquemas fraudulentos envolvendo criptomoedas nos últimos anos, o que pode explicar a dureza da proposta. A medida ainda precisa ser aprovada pelo parlamento controlado pelos militares para entrar em vigor.

📊 Número do Dia

Prisão perpétua , Pena máxima proposta por Mianmar para fraudes com criptomoedas, uma das mais severas do mundo para crimes financeiros digitais

Por que isso importa

A proposta de Mianmar ilustra o endurecimento global da regulação sobre criptomoedas, especialmente em relação a fraudes. Para investidores brasileiros, reforça a importância de operar apenas em plataformas registradas no Banco Central e de verificar a legitimidade de projetos antes de investir. Embora o Brasil não adote penas tão extremas, a tendência é de fiscalização cada vez mais rigorosa sobre o setor, com punições crescentes para golpistas que exploram a complexidade técnica dos ativos digitais para enganar investidores inexperientes.


Fonte original: https://cointelegraph.com/news/myanmar-government-life-death-crypto-scammers?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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