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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Rio negocia redução de 6,5% no preço do gás

O governo do Rio de Janeiro fechou acordo com a Petrobras e a concessionária Naturgy para reduzir o preço do gás natural veicular (GNV) em cerca de 6,5%. A medida também prevê queda de 6% no gás industrial e 2,5% no gás de cozinha residencial.

Pessoa segurando bico de abastecimento de GNV em posto de combustível com painel de preços visível, economia energética
Abastecimento de GNV pode ficar mais barato no Rio com negociação de redução de 6,5% no preço.

O estado do Rio de Janeiro acaba de fechar um acordo que pode tornar o gás mais barato para motoristas, indústrias e consumidores residenciais. Segundo o governo estadual, a parceria entre Petrobras e Naturgy — a empresa que distribui o gás no estado — deve reduzir o preço do gás natural veicular (GNV, aquele usado em carros adaptados) em aproximadamente 6,5%. Cerca de 1,5 milhão de motoristas fluminenses devem ser beneficiados.

O percentual exato ainda será calculado pela Naturgy e validado pela Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa). Somente após essa validação, prevista para as próximas semanas, a nova tarifa entrará em vigor. Para as indústrias, que usam gás natural como insumo energético, a queda estimada é de 6%. Já o consumidor residencial — aquele que compra botijão de gás de cozinha — deve ver o preço cair 2,5%.

Por que o Rio concentra tanto gás?

O Rio de Janeiro é, de longe, o maior produtor de gás natural do Brasil: em 2025, o estado respondeu por 76,90% de toda a produção nacional, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Isso acontece porque as maiores bacias petrolíferas do país — como a Bacia de Santos e a Bacia de Campos — ficam no litoral fluminense. É como se o Rio tivesse embaixo do mar um enorme reservatório de gás, extraído junto com o petróleo.

Além disso, o estado oferece benefícios fiscais para quem usa GNV, como desconto no IPVA (o imposto anual do carro). Esse conjunto de fatores fez do Rio o principal mercado de gás veicular do país. A Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar destacou que o acordo tem “efeito potencial de política pública energética”, ou seja, pode servir de modelo para outras regiões.

Contexto internacional: guerra pressiona derivados, mas gás escapa

A negociação acontece em meio a uma escalada internacional no preço dos derivados de petróleo, provocada pela guerra no Irã. O conflito bloqueou o Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde transitavam 20% da produção mundial de petróleo e gás natural. Com a interrupção, o preço do petróleo subiu mais de 40% em poucas semanas.

Como o petróleo é uma commodity — isto é, uma mercadoria negociada globalmente a preços internacionais —, o aumento se refletiu até em países produtores como o Brasil, especialmente no diesel. Mas o gás natural veicular ficou de fora dessa pressão: em abril, enquanto a gasolina subiu 1,86%, o GNV caiu 1,24%, segundo o IPGE. O analista Fernando Gonçalves, do instituto, explica que “o GNV depende menos das importações”, ou seja, como o Brasil produz muito gás, ele fica mais protegido das oscilações externas.

A título de comparação, países europeus que dependem de gás importado — como Alemanha e Itália — viram os preços dispararem após a guerra na Ucrânia e, agora, com o conflito no Orã. No Brasil, a situação é inversa: quanto mais gás produzimos, mais barato ele fica internamente.

Mais produção, menor preço

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, tem repetido que o caminho para baixar o preço do gás é aumentar a produção. Desde que assumiu, em junho de 2024, a oferta diária de gás da estatal saltou de 29 milhões de metros cúbicos (m³) para 50 milhões a 52 milhões de m³. “O que baixa o preço do gás é investir para produzir mais, porque ainda não revogaram a lei da oferta e da procura”, declarou a executiva.

Essa estratégia já permitiu à Petrobras reativar fábricas de fertilizantes — como a de Camaçari, na Bahia — que dependem de gás natural como matéria-prima. O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, substâncias essenciais para a agricultura, que levam nutrientes às plantas e aumentam a produção de alimentos. Com três fábricas em operação e uma quarta em construção, a Petrobras espera atender 35% da demanda nacional até 2029.

📊 Número do Dia

76,90% — Participação do Rio de Janeiro na produção nacional de gás natural em 2025, segundo a ANP

Por que isso importa

Para o motorista fluminense, a redução de 6,5% no GNV significa economia direta no bolso — especialmente relevante em momento de alta da gasolina. Para a indústria, gás 6% mais barato reduz custos de produção e pode tornar produtos mais competitivos. E para o consumidor residencial, mesmo uma queda de 2,5% no gás de cozinha alivia o orçamento doméstico. Além disso, o aumento da produção nacional de fertilizantes pode reduzir a dependência externa e estabilizar preços de alimentos no médio prazo.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/rio-petrobras-e-concessionaria-fecham-acordo-para-baixar-preco-do-gas