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Mianmar propõe prisão perpétua para fraude cripto

Mianmar propõe prisão perpétua para fraude cripto e pena de morte para coerção em golpes. Entenda o projeto de lei e o contraste com a regulação brasileira.
Um projeto de lei em tramitação em Mianmar propõe penas de prisão perpétua para crimes relacionados a fraudes com criptomoedas e pena de morte para coerção em esquemas de golpes, segundo reportagem publicada pela The Block em 15 de maio de 2025.

Mianmar, país do sudeste asiático, está debatendo uma das legislações mais severas do mundo para crimes envolvendo criptomoedas. Segundo a The Block, o projeto de lei em tramitação no parlamento local prevê pena de prisão perpétua para fraudes que utilizem ativos digitais (como Bitcoin, Ethereum ou stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar) e pena de morte para quem coagir vítimas a participar de esquemas fraudulentos. A proposta reflete a tentativa do governo de combater uma onda de golpes digitais que tem assolado a região.

O contexto é importante: Mianmar enfrenta uma epidemia de centros de fraude digital, muitos operando em zonas de fronteira com pouco controle estatal. Esses centros atraem ou sequestram trabalhadores, forçando-os a aplicar golpes online que frequentemente envolvem criptomoedas. A título de comparação, é como se quadrilhas mantivessem pessoas em cativeiro para operar call centers fraudulentos, mas usando ativos digitais para dificultar o rastreamento. A proposta de pena de morte visa especificamente os operadores que mantêm vítimas sob coerção, enquanto a prisão perpétua mira os responsáveis diretos pelas fraudes cripto.

Para o investidor brasileiro, a notícia serve como lembrete da importância da regulação equilibrada. Enquanto Mianmar opta por penas extremas, o Brasil segue caminho diferente: a Lei 14.478/2022 criou regras para exchanges (plataformas de compra e venda de criptomoedas) sem criminalizar o uso legítimo dos ativos. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central atuam na fiscalização, mas sem prever penas capitais ou prisão perpétua. O contraste ilustra como diferentes países respondem ao mesmo desafio (fraudes cripto) com abordagens radicalmente distintas.

Historicamente, legislações extremamente punitivas em mercados emergentes tendem a empurrar a atividade cripto para a clandestinidade, dificultando a fiscalização. A experiência de países como Índia e Nigéria, que alternaram entre proibições e regulações, sugere que o equilíbrio entre punição e incentivo à conformidade produz melhores resultados. Mianmar, contudo, enfrenta desafios únicos de governança e crime organizado que podem justificar, aos olhos do legislador local, medidas mais drásticas.

📊 Número do Dia

Prisão perpétua , Pena proposta em Mianmar para fraudes envolvendo criptomoedas, uma das mais severas do mundo para crimes digitais.

Por que isso importa

A proposta de Mianmar expõe o dilema global da regulação cripto: como punir crimes sem inviabilizar o uso legítimo da tecnologia. Para o investidor brasileiro, reforça a importância de operar apenas em plataformas reguladas pela CVM e Banco Central, evitando esquemas que prometem retornos irreais. A severidade das penas propostas também sinaliza o quanto governos estão dispostos a ir para combater fraudes digitais, tendência que pode influenciar debates regulatórios em outros países emergentes.


Fonte original: https://www.theblock.co/post/401468/myanmar-bill-proposes-death-penalty-for-scam-coercion-life-imprisonment-for-crypto-fraud-report?utm_source=rss&utm_medium=rss

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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