A Nakamoto, empresa que adota a estratégia de manter Bitcoin (a maior criptomoeda do mercado) como reserva de valor em seu balanço, reportou prejuízo de US$ 239 milhões no primeiro trimestre de 2025. Segundo a Decrypt, a companhia também vendeu parte de suas posições em BTC durante o período, movimento que pressionou as ações da empresa para uma nova mínima histórica na quinta-feira (15 de maio). Para contextualizar, US$ 239 milhões equivalem a cerca de R$ 1,3 bilhão na cotação atual, valor superior ao lucro líquido trimestral de muitas empresas listadas na B3.
A estratégia de manter Bitcoin na tesouraria corporativa (ou seja, usar a criptomoeda como parte das reservas financeiras da empresa, em vez de apenas dinheiro em caixa) ganhou popularidade após a MicroStrategy, de Michael Saylor, adotar o modelo em 2020. Empresas que seguem esse caminho apostam na valorização do Bitcoin no longo prazo, mas ficam expostas à volatilidade do ativo, que pode oscilar 10% ou mais em poucos dias, variação muito superior à de ações tradicionais. A título de comparação, ações de grandes empresas brasileiras como Petrobras ou Vale raramente sobrem ou caem mais de 3% em um único pregão.
A venda de parte das reservas em BTC pela Nakamoto no primeiro trimestre sinaliza uma mudança de postura diante do cenário de mercado. Conforme reportou a Decrypt, o prejuízo de US$ 239 milhões e a redução de posições levaram investidores a reagir negativamente, derrubando as ações da companhia para o menor patamar desde sua listagem. Empresas de tesouraria de Bitcoin enfrentam um dilema: manter a estratégia durante quedas (o que pode ampliar prejuízos contábeis) ou vender ativos para reduzir exposição (o que contraria a tese original de valorização no longo prazo).
Para o investidor brasileiro, o caso ilustra os riscos de empresas que concentram reservas em ativos voláteis. No Brasil, fundos de índice como HASH11 e QBTC11, negociados na B3, oferecem exposição ao Bitcoin sem o risco de gestão corporativa ou decisões de venda em momentos de pressão. Segundo dados públicos da B3, esses ETFs (fundos negociados em bolsa que replicam o desempenho do Bitcoin) permitem ao investidor comum comprar e vender exposição à criptomoeda com a mesma facilidade de uma ação, sem depender de decisões de terceiros sobre quando comprar ou vender.
📊 Número do Dia
US$ 239 milhões , Prejuízo registrado pela Nakamoto no primeiro trimestre de 2025, equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão, após venda de parte de suas reservas em Bitcoin.
Por que isso importa
O caso da Nakamoto expõe os riscos da estratégia de tesouraria em Bitcoin para empresas de capital aberto. Investidores brasileiros que consideram exposição a criptomoedas via ações de empresas do setor precisam avaliar não apenas a volatilidade do ativo, mas também a capacidade de gestão e a disciplina de alocação dessas companhias. Alternativas como ETFs de Bitcoin na B3 oferecem exposição direta ao ativo, sem intermediação de decisões corporativas que podem amplificar perdas em momentos de queda.
Fonte original: https://decrypt.co/367854/bitcoin-firm-nakamoto-stock-new-low-239-million-loss-selling-btc












