A Payward, empresa controladora da exchange Kraken, solicitou ao regulador bancário americano OCC (Office of the Comptroller of the Currency) uma licença para operar como instituição bancária nos Estados Unidos, segundo reportou a Cointelegraph em 8 de maio de 2025. O OCC é o órgão federal responsável por supervisionar bancos nacionais no país, equivalente ao Banco Central do Brasil no que diz respeito à autorização de instituições financeiras.
A licença solicitada pela Kraken é conhecida como charter bancário nacional (uma autorização formal para operar como banco em todo o território americano). Com essa licença, a exchange poderia oferecer serviços bancários tradicionais integrados à sua plataforma de criptomoedas, como contas de depósito, custódia regulada de ativos digitais e outros produtos financeiros. Para contextualizar, seria como se uma corretora de criptomoedas brasileira pedisse autorização ao Banco Central para virar um banco digital completo, podendo oferecer conta corrente e poupança além da compra e venda de Bitcoin.
Conforme a Cointelegraph, o OCC já aprovou pedidos semelhantes de outras empresas do setor cripto: Coinbase, Ripple Labs, BitGo, Circle, Fidelity Digital Assets e Paxos. Essas aprovações sinalizam uma tendência de convergência entre o sistema bancário tradicional e o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos, permitindo que empresas cripto operem sob supervisão bancária federal. Historicamente, essa integração tem sido vista como um passo importante para a legitimação do setor perante investidores institucionais e o público em geral.
O que muda para o investidor brasileiro
Para o investidor brasileiro que utiliza exchanges internacionais, a obtenção de licenças bancárias por plataformas como a Kraken pode representar maior segurança jurídica e proteção de fundos. Bancos regulados nos Estados Unidos precisam seguir regras rígidas de capitalização, auditoria e segregação de ativos dos clientes, padrões superiores aos exigidos de exchanges não bancárias. A título de comparação, no Brasil, o Banco Central exige que instituições financeiras mantenham reservas de capital e passem por auditorias periódicas, garantias que exchanges de criptomoedas ainda não são obrigadas a oferecer da mesma forma.
Segundo conhecimento de mercado, a regulação cripto no Brasil ainda caminha em direção diferente: o Banco Central desenvolve o Drex (real digital) e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) supervisiona fundos e ETFs de criptomoedas negociados na B3, como HASH11 e QBTC11, mas não há movimento equivalente de exchanges brasileiras buscando licenças bancárias completas. O modelo americano de integração entre bancos e cripto pode servir de referência para futuras regulações no país, especialmente à medida que o mercado local amadurece e demanda maior proteção ao investidor.
📊 Número do Dia
6 empresas , Número de companhias cripto que já receberam aprovação do regulador bancário americano para operar como bancos, incluindo Coinbase, Ripple Labs, BitGo, Circle, Fidelity Digital Assets e Paxos.
Por que isso importa
A busca de exchanges por licenças bancárias nos Estados Unidos representa uma mudança estrutural no mercado cripto global: empresas que nasceram fora do sistema financeiro tradicional agora buscam integração regulatória completa. Para o investidor brasileiro, isso significa que plataformas internacionais podem oferecer garantias semelhantes às de bancos convencionais, reduzindo riscos de custódia e aumentando a confiança institucional. O movimento também pressiona reguladores brasileiros a definirem regras mais claras para a convergência entre cripto e sistema bancário local, tema ainda em aberto no país.
Fonte original: https://cointelegraph.com/news/kraken-payward-occ-charter-banking?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound












