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Produção de veículos cresce 2,4% em abril

Produção de veículos cresce 2,4% em abril e supera projeções. Vendas batem recorde para o mês, mas exportações recuam 16,9% com crise argentina.
A produção de veículos no Brasil cresceu 2,4% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 238,5 mil unidades, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No acumulado do primeiro quadrimestre, o avanço foi de 4,9%, superando as projeções iniciais do setor.

A indústria automotiva brasileira registrou em abril um crescimento de 2,4% na produção em relação ao mesmo mês de 2025, mesmo com dois dias úteis a menos devido a feriados. Foram fabricadas 238,5 mil unidades no mês, segundo dados divulgados pela Anfavea nesta sexta-feira (8). Embora tenha havido queda de 9,5% em relação a março — explicada pelo calendário mais curto —, o resultado demonstra que o setor mantém trajetória de recuperação.

No acumulado do primeiro quadrimestre, a produção alcançou 872,6 mil veículos, crescimento de 4,9% sobre o mesmo período de 2025. “Isso está acima das projeções da Anfavea. No final do ano projetávamos 3,7% de [crescimento na] produção”, afirmou Igor Calvet, presidente da associação. O desempenho indica que a indústria pode encerrar 2026 com resultados melhores que o esperado, impulsionada pela recuperação da demanda interna.

Vendas batem recorde para abril

Os emplacamentos (vendas de veículos novos registrados) cresceram 19% em abril ante o mesmo mês de 2025, com 248,3 mil unidades comercializadas — o melhor resultado para um mês de abril desde 2014. “Esse é o melhor abril dos últimos 12 anos”, comemorou Calvet. A média diária de emplacamentos chegou a 12,4 mil unidades, a melhor marca do ano. Para entender a dimensão: é como se, a cada dia útil de abril, uma cidade do tamanho de Petrópolis (RJ) comprasse um carro novo para cada dez habitantes.

No acumulado de janeiro a abril, foram emplacados 873,5 mil veículos, aumento de 14,9% sobre os quatro primeiros meses de 2025. Esse ritmo de vendas reflete a combinação de crédito mais acessível, recuperação da renda das famílias e a renovação de frotas represadas durante a pandemia. A título de comparação, a indústria automotiva mexicana — principal concorrente regional do Brasil — cresceu cerca de 8% no mesmo período, segundo dados da Associação Mexicana da Indústria Automotiva (AMIA), ritmo inferior ao brasileiro.

Exportações sofrem com crise argentina

Enquanto o mercado interno celebra, as exportações enfrentam dificuldades. Entre janeiro e abril, foram enviados ao exterior 142,4 mil veículos, recuo de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. Em abril isoladamente, os embarques caíram 11,7% na comparação anual, apesar de terem crescido 8,2% ante março. O principal motivo é a retração do mercado argentino, destino tradicional da produção brasileira.

“O mercado argentino caiu 6% no primeiro quadrimestre de 2026”, informou Calvet. A Argentina, que historicamente absorve cerca de 70% das exportações brasileiras de veículos, enfrenta crise econômica com inflação elevada e queda no poder de compra, reduzindo drasticamente a demanda por automóveis importados. Isso força as montadoras instaladas no Brasil a dependerem ainda mais do mercado doméstico para sustentar a produção.

Caminhões e ônibus ainda patinando

O segmento de veículos pesados (caminhões e ônibus) continua em dificuldades, embora a queda venha diminuindo. Em abril, foram emplacados 8,8 mil caminhões, queda de 5,8% em relação a abril de 2025. No acumulado do ano, os emplacamentos somaram 30,7 mil unidades, recuo de 17,2%. A Anfavea aposta no programa federal Move Brasil — que oferece crédito subsidiado (juros mais baixos que os de mercado) para troca de caminhões antigos — para reverter a tendência.

“O Move Brasil continua ajudando, mas ainda não foi capaz de reverter a queda nas vendas. Essa segunda etapa do programa, que foi recentemente anunciada, vem sim em um bom momento e a gente espera que agora nós consigamos reverter essa queda”, disse Calvet. Já os ônibus tiveram 2.049 unidades emplacadas em abril, queda de 6,9% ante abril de 2025, refletindo a lenta recuperação do transporte coletivo pós-pandemia.

Eletrificação acelera

Os veículos eletrificados (que incluem híbridos, híbridos plug-in e 100% elétricos) bateram novo recorde de participação no mercado brasileiro, alcançando 18,3% do total de vendas em abril. Foram 48,7 mil unidades emplacadas no mês. “Nesse ritmo a Anfavea já está prevendo em torno de 420 mil a 450 mil veículos eletrificados emplacados nesse ano, o que seria um número bastante robusto”, informou Calvet.

Para contextualizar: em 2025, os eletrificados representavam cerca de 12% das vendas. O salto reflete a queda de preços dos modelos importados (especialmente chineses), incentivos fiscais e a crescente oferta de modelos nacionais. A título de comparação, na Europa os veículos eletrificados já representam cerca de 25% das vendas, enquanto na China ultrapassam 35% — o Brasil ainda está atrás, mas avança rapidamente.

📊 Número do Dia

18,3% — Participação recorde dos veículos eletrificados (híbridos e elétricos) nas vendas totais de abril de 2026, ante 12% em 2025

Por que isso importa

Para o consumidor, o crescimento das vendas indica maior oferta de crédito e condições favoráveis para compra de veículos novos, especialmente eletrificados, que se tornam mais acessíveis. Para as montadoras, o desempenho acima das projeções no mercado interno compensa parcialmente a queda nas exportações para a Argentina, mas exige diversificação de destinos. Para o país, a recuperação do setor automotivo — responsável por cerca de 22% do PIB industrial — sustenta empregos e arrecadação, mas a dependência do mercado doméstico e a fragilidade das exportações acendem alerta sobre a vulnerabilidade do setor a choques externos.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/producao-de-veiculos-cresceu-24-em-abril-diz-anfavea

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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