A Europa enfrenta um fenômeno preocupante no mercado cripto: ataques físicos violentos a investidores para roubar suas moedas digitais. Segundo a CertiK, empresa especializada em segurança blockchain (a tecnologia de registro público que sustenta as criptomoedas), o continente europeu apresenta uma “hiperconcentração” desses crimes, conhecidos no jargão do setor como “wrench attacks” (ataques de chave inglesa, numa tradução literal que remete à violência física empregada).
Esses ataques funcionam de forma brutal: criminosos forçam as vítimas, sob ameaça ou violência, a transferir seus ativos digitais. As quadrilhas costumam ter de três a cinco integrantes e usam táticas como se passar por entregadores ou atrair as vítimas para emboscadas, conforme reportou a CertiK. Diferentemente de um roubo de banco tradicional, aqui o alvo é a carteira digital (wallet, uma espécie de conta bancária sem banco) da vítima, que pode conter valores significativos em Bitcoin, Ethereum ou outras criptomoedas.
O montante acumulado de US$ 101 milhões em perdas (aproximadamente R$ 570 milhões pela cotação atual) representa um volume expressivo. Para contextualizar, esse valor equivale a mais de três vezes o patrimônio líquido do maior ETF de Bitcoin negociado na B3, o HASH11, que encerrou 2024 com cerca de R$ 150 milhões sob gestão, segundo dados públicos da bolsa brasileira. A concentração geográfica na Europa sugere que a combinação de alta adoção de criptomoedas, regulação ainda em desenvolvimento e sofisticação criminal criou um ambiente propício para esse tipo de crime.
Para o investidor brasileiro, o alerta é direto: a segurança física importa tanto quanto a digital. Embora o Brasil não apareça no relatório da CertiK como foco desses ataques, o país já registrou casos isolados de sequestros envolvendo criptomoedas nos últimos anos. A recomendação de especialistas é clara: evite expor publicamente quanto você possui em cripto, não compartilhe detalhes de investimentos em redes sociais e considere soluções de custódia profissional (empresas especializadas em guardar ativos digitais) para valores elevados.
O fenômeno europeu também levanta questões sobre a responsabilidade das exchanges (plataformas de compra e venda de criptomoedas) e dos reguladores. Diferentemente de um assalto a banco, onde há seguros e proteções institucionais, uma transferência forçada de criptomoedas é irreversível: uma vez que a vítima envia os ativos sob coação, não há como desfazer a transação. Isso torna a prevenção a única defesa eficaz, segundo conhecimento de mercado.
📊 Número do Dia
US$ 101 milhões , Total de perdas em ataques físicos violentos a investidores cripto na Europa, segundo a CertiK
Por que isso importa
Este padrão de criminalidade expõe uma vulnerabilidade pouco discutida do mercado cripto: a segurança física dos investidores. Enquanto o setor investe bilhões em proteção digital (criptografia, autenticação em duas etapas, carteiras frias), a irreversibilidade das transações blockchain torna a coação física uma estratégia lucrativa para criminosos. Para o investidor brasileiro, o recado é claro: discrição sobre patrimônio em cripto não é paranoia, é precaução básica. A ausência de seguros e mecanismos de reversão de transações coloca a responsabilidade pela segurança inteiramente nas mãos do detentor dos ativos.












