A Polícia Federal incluiu 12 novos nomes no inquérito que investiga a compra fraudulenta de carteiras de crédito do banco Master pelo BRB (Banco de Brasília, instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal). Entre os investigados estão funcionários do banco que integraram o grupo de trabalho criado para analisar a operação, além de ex-membros da diretoria. A investigação apura se esses profissionais emitiram pareceres favoráveis à operação em troca de benefícios pessoais.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso no mês passado acusado de cobrar propina em imóveis de luxo avaliados em R$ 146 milhões para facilitar os negócios com Daniel Vorcaro, dono do Master. A operação de compra de carteiras de crédito — quando um banco adquire empréstimos feitos por outro banco — totalizou R$ 12,2 bilhões, mas os ativos (os empréstimos comprados) eram de má qualidade, muitos já inadimplentes. É como se o BRB tivesse comprado dívidas que dificilmente seriam pagas, gerando um rombo nas contas.
O esquema revelado pela auditoria
Uma auditoria realizada pelo escritório Machado Meyer e pela consultoria Kroll, entregue à PF em abril, revelou irregularidades graves. Os investigados teriam entrado no capital social do BRB usando estruturas pulverizadas e fundos de investimento, com “laranjas” (pessoas que emprestam o nome) para dificultar o rastreamento pelos órgãos reguladores. Essa prática é comum em esquemas de corrupção para esconder a origem do dinheiro e os verdadeiros beneficiários.
O relatório apontou que a compra das carteiras foi feita de forma “açodada” (apressada) e sem a devida análise de risco — procedimento básico no setor financeiro. A operação resultou em prejuízo estimado em R$ 6 bilhões e deixou o BRB desenquadrado nas regras prudenciais do Banco Central, que exigem que bancos mantenham certo nível de capital próprio para cobrir perdas. O banco agora precisa captar R$ 8,8 bilhões até o fim de maio para se regularizar.
Comparação internacional
Casos de fraude bancária envolvendo compra de ativos podres não são exclusividade brasileira. A título de comparação, o escândalo do Wirecard na Alemanha, em 2020, envolveu fraude contábil de € 1,9 bilhão e levou à falência do banco, expondo falhas de supervisão. No Brasil, o caso do BRB chama atenção pela rapidez com que o prejuízo se acumulou e pelo envolvimento de uma instituição pública, que deveria ter controles mais rígidos.
O BRB informou que abrirá Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar responsabilidades dos servidores e buscará reparação civil dos prejuízos causados, tanto na esfera administrativa quanto judicial.
📊 Número do Dia
R$ 6 bilhões , Prejuízo estimado ao BRB com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do banco Master
Por que isso importa
O caso expõe fragilidades nos controles internos de um banco público e pode resultar em perdas para o contribuinte do Distrito Federal, já que o BRB é controlado pelo governo local. Para o mercado financeiro, reforça a necessidade de supervisão rigorosa em operações de compra de carteiras de crédito. A crise de liquidez do banco pode afetar o crédito disponível para empresas e cidadãos brasilienses, além de pressionar o orçamento público caso seja necessário um aporte emergencial de recursos.












