O Ministério do Turismo lançou o programa Do Lado do Turismo Brasileiro, que oferecerá crédito subsidiado para MEIs inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) — o banco de dados do governo que identifica famílias em situação de vulnerabilidade social. Segundo o ministro Gustavo Feliciano, o público-alvo inclui guias de turismo, motoristas, vendedores ambulantes de alimentos e bebidas, artesãos e outros profissionais da cadeia turística. A proposta busca ampliar o acesso ao sistema financeiro formal para trabalhadores que tradicionalmente enfrentam dificuldades para obter financiamento.
As condições anunciadas incluem juros de até 5% ao ano, acrescidos do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que mede a inflação para famílias de baixa renda), prazo total de até 24 meses e carência de até seis meses para começar a pagar. Para ter uma ideia do que isso representa: enquanto os juros do cheque especial chegam a ultrapassar 130% ao ano, essa linha oferece 5% — uma diferença que pode ser decisiva para quem vive na informalidade. O financiamento máximo por operação será de R$ 21 mil, valor que pode ser usado para compra de equipamentos, máquinas, utensílios, ferramentas e pequenas reformas relacionadas às atividades turísticas.
Os recursos virão do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), enquanto o Ministério do Desenvolvimento Social disponibilizará inicialmente até R$ 100 milhões para garantir as operações por meio do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Para acessar o financiamento, os trabalhadores deverão estar inscritos tanto no CadÚnico quanto no Cadastur, sistema oficial do Ministério do Turismo que formaliza pessoas físicas e jurídicas do setor. Atualmente, há 46.273 microempreendedores cadastrados no Cadastur — um universo ainda pequeno diante dos milhões de trabalhadores informais do turismo brasileiro.
Comparação internacional
A iniciativa brasileira segue uma tendência global de políticas de microcrédito voltadas para setores vulneráveis. A título de comparação, países como Bangladesh e Índia desenvolveram programas semelhantes de microfinanças que ajudaram a formalizar milhões de pequenos empreendedores, com taxas de juros subsidiadas que variam entre 8% e 12% ao ano. O modelo brasileiro, com juros de 5% ao ano, posiciona-se entre os mais competitivos do mundo em termos de custo para o tomador.
Implementação regional
No primeiro momento, a iniciativa estará disponível apenas para MEIs da Região Nordeste, mas a previsão do governo é ampliar o programa posteriormente para todo o país. Os interessados deverão manifestar interesse por meio de um canal virtual do Banco do Nordeste (BNB), seguido de entrevista com agente de crédito para análise do negócio. Segundo o ministro Feliciano, a escolha do Nordeste como região piloto reflete a concentração de trabalhadores informais do turismo na área e a capilaridade do Banco do Nordeste na região.
📊 Número do Dia
R$ 21 mil — Valor máximo de financiamento por operação para MEIs do turismo, com juros de apenas 5% ao ano
Por que isso importa
Para o cidadão de baixa renda que trabalha no turismo, o programa representa uma porta de entrada ao crédito formal a custos acessíveis — algo historicamente difícil para quem vive na informalidade. Para o setor turístico, a iniciativa pode ajudar a profissionalizar a base da cadeia produtiva, melhorando a qualidade dos serviços. E para a economia como um todo, políticas de microcrédito bem desenhadas têm potencial de gerar renda, formalizar empregos e reduzir desigualdades regionais, especialmente em áreas onde o turismo é motor econômico importante.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/credito-para-meis-do-turismo-atendera-inscritos-no-cadunico












