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Brasil bate recorde de superávit comercial em abril

Brasil registra superávit recorde de US$ 10,5 bi em abril, impulsionado por soja e petróleo. Entenda o impacto para a economia e seu bolso.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 10,537 bilhões em abril de 2026, o maior resultado para o mês desde o início da série histórica em 1989, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O desempenho representa alta de 37,5% em relação a abril de 2025.

A balança comercial brasileira — a diferença entre tudo o que o país vende para o exterior (exportações) e tudo o que compra de fora (importações) — bateu recorde em abril de 2026. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o superávit (quando as vendas superam as compras) chegou a US$ 10,537 bilhões, o maior valor para meses de abril desde que a série histórica começou a ser medida, em 1989. O resultado é 37,5% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

O desempenho foi puxado principalmente por dois produtos: soja e petróleo. As exportações de soja cresceram US$ 1,105 bilhão em relação a abril de 2025, impulsionadas tanto pelo volume da safra quanto pela alta nos preços internacionais. Já o petróleo bruto contribuiu com US$ 458,98 milhões a mais em vendas, apesar de o volume exportado ter caído 10,6% — o preço médio subiu 23,7% por causa da guerra no Oriente Médio, compensando a redução nas quantidades vendidas.

Para entender melhor: imagine que o Brasil é como uma loja que vende produtos agrícolas e matérias-primas para o mundo. Em abril, essa loja vendeu US$ 34,148 bilhões em mercadorias (recorde para o mês) e comprou US$ 23,611 bilhões do exterior (também recorde). A diferença positiva de US$ 10,5 bilhões é o que sobra no caixa — e esse valor só perde para maio e março de 2023 em toda a história do país.

Comparação internacional e contexto global

A título de comparação, o superávit comercial brasileiro em abril supera o de economias como a Coreia do Sul, que registrou cerca de US$ 3,8 bilhões no mesmo período, segundo dados públicos da OCDE. O Brasil se beneficia de sua posição como grande exportador de commodities (produtos básicos como soja, minério de ferro e petróleo), especialmente em momentos de alta nos preços internacionais. A guerra no Oriente Médio, por exemplo, elevou as cotações do petróleo, favorecendo países produtores como o Brasil.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a balança comercial brasileira soma superávit de US$ 24,782 bilhões, alta de 43,5% em relação ao mesmo período de 2025. Esse é o segundo melhor resultado da história para o período, perdendo apenas para o primeiro quadrimestre de 2024 (US$ 26,925 bilhões).

O que puxou e o que freou as exportações

Além da soja e do petróleo, outros produtos se destacaram nas exportações de abril: algodão (+43,7%), minério de ferro (+19,5%), carne bovina (+29,4%) e até bombas e compressores industriais (+321,5%). Por outro lado, o café teve desempenho negativo, com queda de 14,2% nas vendas (US$ 177,44 milhões a menos), causada principalmente pela redução de 13,4% no preço médio internacional.

Do lado das importações, o destaque foi a compra de veículos, que cresceu US$ 654,33 milhões em relação a abril de 2025 — um aumento de 109,9% nas importações de automóveis de passageiros. Isso reflete tanto a recuperação da demanda interna quanto a valorização do real em alguns períodos, que torna produtos importados relativamente mais baratos.

Projeções para 2026

O Mdic projeta que o Brasil encerrará 2026 com superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% em relação aos US$ 68,1 bilhões de 2025. As exportações devem chegar a US$ 364,2 bilhões e as importações a US$ 280,2 bilhões. Já o mercado financeiro, consultado semanalmente pelo Banco Central no boletim Focus, está mais otimista: prevê superávit de US$ 75 bilhões, projeção que subiu após o início da guerra no Oriente Médio.

O recorde histórico de superávit comercial brasileiro foi registrado em 2023, quando o saldo positivo alcançou US$ 98,9 bilhões — impulsionado por preços excepcionalmente altos de commodities naquele ano.

📊 Número do Dia

US$ 10,537 bilhões — Superávit comercial do Brasil em abril de 2026, o maior para o mês desde 1989

Por que isso importa

O superávit recorde fortalece as reservas internacionais do Brasil (a poupança em dólares do país) e ajuda a manter o real mais estável, o que pode conter a inflação de produtos importados. Para empresas exportadoras, especialmente do agronegócio, o cenário é favorável. Para o cidadão, um dólar mais controlado significa que produtos eletrônicos, medicamentos e combustíveis tendem a ficar mais baratos — embora o efeito não seja imediato. Além disso, um país que vende mais do que compra do exterior tem mais fôlego para enfrentar crises econômicas globais.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/balanca-comercial-tem-superavit-recorde-para-meses-de-abril

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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