A Kraken acusa a Etana Custody de operar um esquema que se assemelha a uma pirâmide financeira, usando recursos de clientes para fins não autorizados. Conforme reportou a AMBCrypto em 4 de maio de 2025, a corretora de criptomoedas entrou com ação judicial federal alegando que a empresa de custódia (responsável por guardar ativos digitais de forma segura, como um cofre bancário para criptomoedas) não devolveu pelo menos US$ 25 milhões em ativos de clientes. O valor equivale a aproximadamente R$ 140 milhões, considerando a cotação atual do dólar.
Custódia de criptomoedas funciona como um serviço de cofre: o cliente deposita seus ativos digitais, e a empresa custodiante os guarda com segurança, sem poder usá-los. A acusação da Kraken sugere que a Etana teria violado esse princípio básico, movimentando fundos de clientes para outras finalidades. O termo “Ponzi-like” (similar a Ponzi) usado pela exchange refere-se a esquemas em que novos depósitos são usados para pagar saques de clientes antigos, prática que caracteriza pirâmides financeiras. Segundo a fonte, a Kraken alega que a Etana falhou em segregar adequadamente os fundos, misturando recursos de diferentes clientes.
Para o investidor brasileiro, o caso reforça a importância de verificar a reputação e a estrutura de custódia das plataformas onde mantém criptomoedas. No Brasil, a regulação de custódia de ativos digitais ainda está em desenvolvimento: o Banco Central e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) trabalham em normas específicas, mas o marco regulatório aprovado em 2022 ainda não detalhou todas as exigências para custodiantes. Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin e Foxbit oferecem custódia própria, mas muitas plataformas menores terceirizam o serviço, o que aumenta o risco operacional.
Historicamente, casos de custódia mal administrada já causaram perdas bilionárias no mercado cripto global. O colapso da FTX em 2022, por exemplo, revelou que a exchange misturava fundos de clientes com operações da empresa, resultando em prejuízos de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões). A diferença é que a Etana é uma empresa especializada em custódia, não uma exchange, o que torna a acusação ainda mais grave: sua única função era guardar os ativos, não operá-los.
Segundo conhecimento de mercado, a Etana Custody atende diversas corretoras e instituições financeiras nos Estados Unidos, oferecendo serviços de custódia para dólares e criptomoedas. A empresa ainda não se pronunciou publicamente sobre o processo, conforme a reportagem da AMBCrypto. A Kraken, por sua vez, busca não apenas a devolução dos US$ 25 milhões, mas também indenizações por danos causados aos seus clientes.
📊 Número do Dia
US$ 25 milhões , Valor mínimo que a Kraken alega não ter recebido de volta da Etana Custody, equivalente a cerca de R$ 140 milhões.
Por que isso importa
O caso expõe os riscos de terceirizar a custódia de criptomoedas e reforça a necessidade de regulação clara no setor. Para o investidor brasileiro, é um alerta: mesmo empresas especializadas em guardar ativos podem falhar. Com o avanço do Drex (real digital do Banco Central) e a expansão dos ETFs de cripto na B3, a definição de regras rígidas para custodiantes se torna urgente. Quem investe em criptomoedas deve priorizar plataformas com custódia transparente, auditada e, preferencialmente, regulada.
Fonte original: https://ambcrypto.com/kraken-sues-etana-custody-over-25m-loss-alleges-ponzi-like-misuse-of-client-funds/












