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Mercosul pode readmitir Venezuela após mudança política

Mercosul avalia readmitir Venezuela após mudanças políticas. Bloco avança com acordo UE e busca maior integração regional, mas comércio interno ainda é limitado.
O Mercosul deverá discutir o possível retorno da Venezuela ao bloco comercial, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin. A mudança ocorre após a expulsão de Nicolás Maduro e a aproximação do país com os Estados Unidos e instituições ocidentais.

O Mercosul — bloco comercial formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — pode reverter a suspensão da Venezuela, aplicada em 2017. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o grupo reavaliará a situação à medida que o país entra em um “momento diferente”, após mudanças políticas significativas em Caracas. A Venezuela foi suspensa por violar a cláusula democrática (regras que exigem respeito à democracia e aos direitos humanos) e por não cumprir compromissos econômicos do bloco.

O reengajamento da Venezuela com o Ocidente ganhou força desde que Delcy Rodriguez assumiu a presidência interina. O Fundo Monetário Internacional (FMI) — organização que empresta dinheiro a países em dificuldades — anunciou na semana passada que retomará contato formal com Caracas, abrindo caminho para eventual acesso a financiamento multilateral. É como se a Venezuela, após anos isolada do sistema financeiro global, voltasse a ter acesso ao “cartão de crédito” internacional.

Os Estados Unidos também tomaram medidas para aliviar sanções (punições econômicas que limitam o comércio) contra entidades financeiras venezuelanas e concederam novas licenças para empresas petrolíferas americanas expandirem operações no país. Caracas busca investimento estrangeiro em seus setores de energia e mineração, aproveitando preocupações globais com abastecimento.

Mercosul em expansão

O debate sobre a Venezuela ocorre enquanto o Mercosul avança em uma reestruturação mais ampla. O bloco implementará provisoriamente em 1º de maio o acordo comercial com a União Europeia, negociado por décadas. O Brasil estima que o acordo poderá aumentar suas exportações para a UE em cerca de 13% — um impulso significativo para setores como agronegócio e manufatura.

Alckmin destacou que a integração latino-americana ainda é limitada: o comércio intrarregional (entre países da região) representa menos de 30% do comércio total do Mercosul. A título de comparação, na Europa esse percentual chega a quase 60%, na América do Norte a cerca de 50%, e no Sudeste Asiático (bloco Asean) aproxima-se de 70%. Isso significa que os países do Mercosul comercializam muito mais com o resto do mundo do que entre si — uma oportunidade perdida de fortalecer economias regionais.

A Bolívia está adotando as regras do bloco após ser aceita como membro pleno em 2024, enquanto a Colômbia busca adesão plena. O retorno da Venezuela, porém, exigiria consenso entre todos os Estados-membros e comprovação de que o país cumpre os padrões democráticos e econômicos do Mercosul.

📊 Número do Dia

30% , Percentual do comércio total do Mercosul que ocorre entre países da região — menos da metade do observado na Europa (60%) e no Sudeste Asiático (70%)

Por que isso importa

Para empresas brasileiras, a readmissão da Venezuela pode abrir um mercado de cerca de 28 milhões de consumidores e oportunidades em setores como energia e infraestrutura. Para o cidadão, a expansão do Mercosul — com o acordo UE e possível retorno venezuelano — pode significar produtos importados mais baratos e maior competitividade para a indústria nacional. Para investidores, a reintegração de Caracas sinaliza estabilização política regional, mas ainda carrega riscos até que reformas democráticas sejam consolidadas.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/23/mercosul-pode-rever-suspensao-da-venezuela-apos-novo-cenario-politico-diz-alckmin.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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