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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Governo prepara novo Desenrola com uso do FGTS

O governo federal deve anunciar uma nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, após a viagem do presidente Lula à Europa. A principal novidade é a possibilidade de usar recursos do FGTS para quitar débitos.

Consultora financeira explicando documentos do FGTS para cliente em escritório moderno, negociação dívidas
Profissional orienta sobre renegociação de dívidas usando recursos do FGTS em programa governamental.

O Ministério da Fazenda está finalizando os detalhes de um novo programa de renegociação de dívidas, nos moldes do Desenrola, que deve ser anunciado após o retorno do presidente Lula de viagem à Europa. Segundo o ministro Dario Durigan, o desenho final está sendo concluído e será apresentado ao presidente nos próximos dias. O anúncio oficial ficará a cargo de Lula, provavelmente ainda em abril.

O objetivo central do programa é reduzir os níveis de inadimplência no Brasil — isto é, o número de pessoas e empresas que não conseguem pagar suas contas em dia. Entre as principais medidas em estudo está a liberação de valores retidos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas, montante que pode chegar a cerca de R$ 7 bilhões. O FGTS funciona como uma poupança forçada do trabalhador: todo mês, o empregador deposita 8% do salário em uma conta vinculada, que normalmente só pode ser sacada em situações específicas, como demissão sem justa causa ou compra da casa própria.

A medida ganha relevância em um cenário de juros ainda elevados. A taxa Selic (o juro básico da economia, que influencia todas as outras taxas do país) está em patamar alto, encarecendo o crédito e dificultando o pagamento de dívidas pelas famílias. O governo também avalia mecanismos para conter o uso excessivo de apostas esportivas (bets) como forma de reduzir o endividamento. Segundo Durigan, o programa deve contemplar tanto pessoas físicas quanto empresas, com expectativa de “impacto grande” na redução do endividamento da população.

Comparação internacional

A estratégia brasileira de usar fundos de poupança compulsória para renegociar dívidas não é comum internacionalmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, não existe equivalente ao FGTS — a poupança para aposentadoria é voluntária (planos 401k) e raramente pode ser usada para quitar dívidas sem penalidades severas. A título de comparação, programas de renegociação de dívidas em países europeus costumam focar em alongamento de prazos e redução de juros, sem mexer em fundos de poupança dos trabalhadores.

Contexto do endividamento

O Brasil enfrenta níveis historicamente altos de endividamento das famílias. Imagine que o orçamento doméstico é como o de uma casa: quando os juros sobem, as prestações ficam mais caras, e muitas famílias acabam gastando mais do que ganham. A combinação de juros elevados com a popularização das apostas online agravou o problema, levando o governo a buscar soluções emergenciais. O ministro Durigan não detalhou todas as medidas, mas indicou que o anúncio deve ocorrer logo após a viagem presidencial, que inclui passagens por Barcelona e Alemanha, com agenda voltada a temas como governança financeira e transição energética.

📊 Número do Dia

R$ 7 bilhões — Montante que pode ser liberado do FGTS para quitação de dívidas no novo programa Desenrola

Por que isso importa

Para o cidadão endividado, o programa pode representar uma oportunidade concreta de quitar dívidas usando recursos do próprio FGTS, reduzindo o peso dos juros altos no orçamento familiar. Para o mercado financeiro, a medida pode diminuir a inadimplência nos bancos, melhorando a qualidade das carteiras de crédito. E para a economia como um todo, famílias menos endividadas tendem a consumir mais, impulsionando o crescimento econômico em um momento de juros ainda elevados.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/nova-versao-do-desenrola-sera-lancada-apos-viagem-de-lula-diz-durigan