O Ministério da Fazenda está finalizando os detalhes de um novo programa de renegociação de dívidas, nos moldes do Desenrola, que deve ser anunciado após o retorno do presidente Lula de viagem à Europa. Segundo o ministro Dario Durigan, o desenho final está sendo concluído e será apresentado ao presidente nos próximos dias. O anúncio oficial ficará a cargo de Lula, provavelmente ainda em abril.
O objetivo central do programa é reduzir os níveis de inadimplência no Brasil — isto é, o número de pessoas e empresas que não conseguem pagar suas contas em dia. Entre as principais medidas em estudo está a liberação de valores retidos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas, montante que pode chegar a cerca de R$ 7 bilhões. O FGTS funciona como uma poupança forçada do trabalhador: todo mês, o empregador deposita 8% do salário em uma conta vinculada, que normalmente só pode ser sacada em situações específicas, como demissão sem justa causa ou compra da casa própria.
A medida ganha relevância em um cenário de juros ainda elevados. A taxa Selic (o juro básico da economia, que influencia todas as outras taxas do país) está em patamar alto, encarecendo o crédito e dificultando o pagamento de dívidas pelas famílias. O governo também avalia mecanismos para conter o uso excessivo de apostas esportivas (bets) como forma de reduzir o endividamento. Segundo Durigan, o programa deve contemplar tanto pessoas físicas quanto empresas, com expectativa de “impacto grande” na redução do endividamento da população.
Comparação internacional
A estratégia brasileira de usar fundos de poupança compulsória para renegociar dívidas não é comum internacionalmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, não existe equivalente ao FGTS — a poupança para aposentadoria é voluntária (planos 401k) e raramente pode ser usada para quitar dívidas sem penalidades severas. A título de comparação, programas de renegociação de dívidas em países europeus costumam focar em alongamento de prazos e redução de juros, sem mexer em fundos de poupança dos trabalhadores.
Contexto do endividamento
O Brasil enfrenta níveis historicamente altos de endividamento das famílias. Imagine que o orçamento doméstico é como o de uma casa: quando os juros sobem, as prestações ficam mais caras, e muitas famílias acabam gastando mais do que ganham. A combinação de juros elevados com a popularização das apostas online agravou o problema, levando o governo a buscar soluções emergenciais. O ministro Durigan não detalhou todas as medidas, mas indicou que o anúncio deve ocorrer logo após a viagem presidencial, que inclui passagens por Barcelona e Alemanha, com agenda voltada a temas como governança financeira e transição energética.
📊 Número do Dia
R$ 7 bilhões — Montante que pode ser liberado do FGTS para quitação de dívidas no novo programa Desenrola
Por que isso importa
Para o cidadão endividado, o programa pode representar uma oportunidade concreta de quitar dívidas usando recursos do próprio FGTS, reduzindo o peso dos juros altos no orçamento familiar. Para o mercado financeiro, a medida pode diminuir a inadimplência nos bancos, melhorando a qualidade das carteiras de crédito. E para a economia como um todo, famílias menos endividadas tendem a consumir mais, impulsionando o crescimento econômico em um momento de juros ainda elevados.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/nova-versao-do-desenrola-sera-lancada-apos-viagem-de-lula-diz-durigan












