O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), indicador usado para reajustar contratos de aluguel e algumas tarifas públicas, subiu 0,52% em março, segundo a FGV. Apesar da alta no mês, o índice acumula deflação de 1,83% em 12 meses — ou seja, na média, os preços medidos por ele recuaram no último ano. Para entender: quando o IGP-M está negativo, significa que o conjunto de preços que ele mede (desde alimentos até materiais de construção) caiu, e não subiu.
A pressão de alta em março veio principalmente de dois lados: produtos agropecuários e derivados de petróleo. No campo, ovos subiram 16,95% no mês (depois de já terem encarecido 14,16% em fevereiro), e o feijão disparou 20,91% (após alta de 13,77% no mês anterior). Segundo o economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, o agravamento da guerra no Oriente Médio — iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e Israel ao Irã — já se reflete nos preços de derivados de petróleo, que subiram 1,16% em março. É como se uma crise do outro lado do mundo chegasse ao bolso do brasileiro pelo preço da gasolina, que subiu 1,12% no mês.
Como o IGP-M é calculado
O IGP-M é formado por três componentes, cada um com um peso diferente. O maior deles é o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que mede a inflação sentida por quem produz — fazendeiros, indústrias, empresas — e responde por 60% do índice total. Em março, o IPA subiu 0,61%, puxado por bovinos, ovos, leite, feijão e milho. Os outros 30% vêm do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que mede o que as famílias pagam no dia a dia; ele subiu 0,30%, pressionado pela gasolina. Os 10% restantes são do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que subiu 0,36%.
A título de comparação, a inflação ao consumidor nos Estados Unidos (CPI) acumulou cerca de 2,8% em 12 meses até fevereiro de 2026, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. Enquanto isso, o IGP-M brasileiro acumula queda de 1,83% no mesmo período — uma diferença que reflete tanto a composição distinta dos índices quanto as dinâmicas econômicas específicas de cada país. O IGP-M, por exemplo, é muito mais sensível a commodities e câmbio do que índices focados apenas no consumidor.
O que muda para quem paga aluguel
Embora o IGP-M acumulado em 12 meses esteja negativo, isso não garante que os aluguéis vão cair. Muitos contratos incluem cláusulas que só permitem reajuste “conforme variação positiva do IGP-M” — ou seja, se o índice for negativo, o aluguel simplesmente não muda. Na prática, quem aluga pode não ver redução no valor pago, mesmo com o índice acumulado em queda. Para o inquilino, é importante ler o contrato com atenção e, se possível, negociar diretamente com o proprietário.
📊 Número do Dia
20,91% — Alta do preço do feijão em março, após já ter subido 13,77% em fevereiro — reflexo de pressões na agropecuária
Por que isso importa
Para o cidadão, a alta do IGP-M em março sinaliza que a pressão inflacionária pode voltar, especialmente se a guerra no Oriente Médio continuar elevando o preço do petróleo. Para quem paga aluguel, o índice acumulado negativo em 12 meses pode significar estabilidade ou até redução no reajuste anual — mas só se o contrato permitir. Para empresas e concessionárias de serviços públicos, o IGP-M é referência para reajustar tarifas, o que pode impactar custos operacionais nos próximos meses.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/petroleo-pressiona-e-inflacao-do-aluguel-da-fgv-fecha-marco-em-052












