O desemprego no Brasil subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, mas continua em patamar historicamente baixo. A taxa — que mede a proporção de pessoas procurando trabalho em relação à força de trabalho total — estava em 5,2% no trimestre terminado em novembro de 2025. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha 6,2 milhões de pessoas à procura de emprego no período, contra 5,6 milhões no trimestre anterior.
A alta é explicada principalmente pela perda de vagas em setores como saúde, educação e construção. Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, atribuiu a redução ao comportamento sazonal — ou seja, típico da época do ano — especialmente em contratos temporários do setor público que se encerram na virada do ano. É como se, todo início de ano, parte dos professores e profissionais de saúde contratados temporariamente perdessem seus postos até novos contratos serem firmados.
Apesar da alta recente no desemprego, o rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.679 no trimestre encerrado em fevereiro — o maior valor já registrado na série histórica. O salário médio cresceu 2% em relação ao trimestre anterior e 5,2% comparado ao mesmo período de 2025, já descontada a inflação (ou seja, em valores reais de poder de compra). Segundo Beringuy, o crescimento dos salários vem sendo impulsionado pela forte demanda por trabalhadores, acompanhada de maior formalização no comércio e serviços.
Comparação internacional
A título de comparação, a taxa de desemprego brasileira de 5,8% está abaixo da média histórica do país e próxima de economias desenvolvidas. Os Estados Unidos registraram 4,1% de desemprego em fevereiro de 2026, enquanto a zona do euro manteve-se em torno de 6,5%. Para um país emergente, o Brasil apresenta um mercado de trabalho aquecido, embora com desafios persistentes de informalidade.
A taxa de informalidade — que inclui trabalhadores sem carteira assinada, sem cobertura previdenciária ou férias — ficou em 37,5% da população ocupada, equivalente a 38,3 milhões de brasileiros. O número de trabalhadores por conta própria atingiu 26,1 milhões, alta de 3,2% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Já o número de empregados no setor privado com carteira assinada permaneceu estável em 39,2 milhões.
Contexto histórico
Para entender a dimensão dos números atuais, vale lembrar que a maior taxa de desemprego já registrada pelo IBGE foi de 14,9%, atingida durante a pandemia de covid-19 em 2020 e 2021. A menor taxa foi de 5,1% no quarto trimestre de 2025, mostrando que o mercado de trabalho brasileiro vive um dos melhores momentos da última década. No mesmo trimestre de 2025, a taxa era de 6,8% — ou seja, houve queda de 1 ponto percentual em um ano.
📊 Número do Dia
R$ 3.679 — Rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro no trimestre encerrado em fevereiro de 2026 — o maior valor já registrado na série histórica do IBGE, com alta real de 5,2% em relação ao mesmo período de 2025
Por que isso importa
Para o cidadão, a combinação de desemprego baixo e salários em alta significa maior poder de compra e segurança no emprego, embora a informalidade ainda atinja mais de um terço dos trabalhadores. Para empresas, o mercado aquecido pressiona custos com mão de obra, mas também indica demanda forte por produtos e serviços. Para investidores, o cenário reforça a resiliência da economia doméstica, mas pode manter a pressão inflacionária e os juros elevados por mais tempo.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/desemprego-sobe-para-58-em-fevereiro-mas-e-o-menor-para-o-trimestre












