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Acordo UE-Mercosul começa a valer em maio

Tratado cria maior zona de livre comércio mundial mesmo com oposição francesa e revisão judicial pendente
Fiscal da Receita Federal inspecionando contêineres no porto com bandeiras da União Europeia e Mercosul, navios cargueiros ao fundo, comércio exterior
A Comissão Europeia anunciou nesta segunda-feira (23) que o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul será aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio, apesar de contestações judiciais pendentes.

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul — que cria a maior zona de livre comércio do mundo — começará a valer provisoriamente em 1º de maio. O anúncio foi feito pela Comissão Europeia nesta segunda-feira (23), mesmo com o Parlamento Europeu tendo solicitado, em janeiro, uma revisão judicial da legalidade do tratado. A decisão do Tribunal de Justiça da UE deve sair em até um ano e meio, mas enquanto isso o acordo já produzirá efeitos práticos.

O Mercosul é o bloco econômico formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — países que juntos representam um mercado de cerca de 280 milhões de pessoas. A aplicação provisória significa que algumas tarifas de importação (os impostos cobrados quando um produto cruza a fronteira) serão eliminadas imediatamente, facilitando o comércio entre os dois blocos. Segundo a Comissão Europeia, isso permitirá que a Europa exporte mais automóveis, máquinas, vinho e outras bebidas alcoólicas para a América do Sul, enquanto importará carne bovina, aves, açúcar, arroz, mel e soja do Mercosul.

O acordo funciona como um desconto progressivo nas tarifas: produtos que antes pagavam impostos altos para entrar em cada mercado passarão a circular com custos menores ou zerados. Para o Brasil, isso significa acesso facilitado ao mercado europeu de 450 milhões de consumidores — um dos mais ricos do mundo. A título de comparação, o acordo entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) movimenta cerca de US$ 1,3 trilhão por ano; o pacto UE-Mercosul tem potencial para movimentar volumes similares, segundo estimativas da Comissão Europeia.

Mas o tratado enfrenta forte oposição, especialmente da França. Agricultores franceses temem que produtos sul-americanos mais baratos — produzidos com regras ambientais e sanitárias diferentes das europeias — inundem o mercado europeu e prejudiquem a produção local. No fim de janeiro, o governo francês classificou a aplicação provisória como “uma violação democrática”. Por outro lado, Alemanha e Espanha apoiam o acordo, vendo nele uma oportunidade de fortalecer a economia europeia diante da concorrência chinesa e das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Argentina, Brasil e Uruguai já concluíram seus procedimentos de ratificação (aprovação interna) e notificaram a União Europeia. O Paraguai ratificou recentemente e deve enviar sua notificação em breve, completando a adesão de todos os membros do Mercosul. O acordo, negociado desde 1999, foi finalmente assinado em janeiro deste ano, em Assunção.

📊 Número do Dia

280 milhões , de pessoas formam o mercado consumidor do Mercosul, que terá acesso facilitado aos produtos europeus a partir de maio

Por que isso importa

Para empresas brasileiras, o acordo abre as portas do mercado europeu com tarifas menores, facilitando exportações de commodities agrícolas e produtos industrializados. Para o consumidor brasileiro, significa acesso a produtos europeus mais baratos, como vinhos, queijos e automóveis. Para investidores, representa maior integração comercial do Brasil com uma das economias mais ricas do mundo, potencialmente atraindo mais capital estrangeiro e fortalecendo setores exportadores.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/03/acordo-ue-mercosul-entra-em-vigor-a-partir-de-1o-de-maio.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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