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Brasileiros rejeitam taxa mínima em apps de delivery

Pesquisa Quaest mostra que 78% temem aumento generalizado de preços com implementação de valor mínimo obrigatório por pedido
Ciclista com capacete segura cartaz com símbolo de moeda riscado, representando protesto contra taxas delivery economia digital
Sete em cada dez brasileiros são contrários à implementação de uma taxa mínima por pedido em aplicativos de delivery, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (17). O levantamento revela ainda que 78% da população acredita que a medida provocaria aumento de preços nos pedidos de comida.

A rejeição à taxa mínima em aplicativos de entrega é ampla entre os brasileiros. De acordo com a pesquisa Quaest, 71% da população se opõe à cobrança de um valor mínimo por pedido — uma medida que vem sendo discutida no setor de delivery. Dessa forma, a taxa funcionaria como um piso obrigatório: mesmo que você peça apenas um lanche de R$ 10, teria que pagar um valor adicional para atingir o mínimo estabelecido pelo aplicativo.

O principal temor dos consumidores é o impacto no bolso. Nesse sentido, para 78% dos entrevistados pela Quaest, a taxa mínima levaria a um aumento generalizado nos preços dos pedidos. É como se, ao criar uma barreira de entrada, os aplicativos empurrassem os consumidores a gastar mais em cada compra — mesmo quando precisam de menos. Além disso, o receio faz sentido: em mercados onde taxas similares foram implementadas, como em algumas cidades europeias, o ticket médio (valor médio gasto por pedido) de fato subiu, contudo o número total de pedidos caiu.

A discussão sobre taxas mínimas reflete tensões mais amplas no modelo de negócio do delivery. Por um lado, os aplicativos argumentam que pedidos muito pequenos não cobrem os custos operacionais — que incluem a comissão do entregador, a manutenção da plataforma e o suporte ao cliente. Por outro lado, consumidores e pequenos comerciantes temem que a medida afaste clientes, especialmente em um país onde o ticket médio de delivery já é pressionado pelo poder de compra limitado. Assim, a título de comparação, nos Estados Unidos, plataformas como DoorDash e Uber Eats já cobram taxas adicionais para pedidos abaixo de determinado valor, no entanto o mercado americano tem renda per capita três vezes maior que a brasileira.

O debate ganha relevância em um momento de pressão sobre a rentabilidade das plataformas. Nesse contexto, empresas como iFood e Rappi vêm ajustando suas estruturas de cobrança para equilibrar as contas, enquanto enfrentam concorrência acirrada e custos crescentes com entregadores. Por sua vez, a pesquisa Quaest, no entanto, sugere que qualquer movimento nessa direção enfrentará forte resistência popular.

📊 Número do Dia

71% , dos brasileiros são contra a implementação de taxa mínima por pedido em aplicativos de delivery, segundo pesquisa Quaest

Por que isso importa

Para o consumidor, a taxa mínima pode significar gastos maiores em cada pedido ou a inviabilização de compras pequenas — como um café ou um lanche rápido. Em contrapartida, para os aplicativos, a rejeição popular complica planos de ajuste de rentabilidade. Da mesma forma, para pequenos restaurantes e comerciantes, a medida pode reduzir o volume de pedidos, afetando o faturamento em um setor já marcado por margens apertadas.


Fonte original: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/71-dos-brasileiros-sao-contra-taxa-minima-por-pedido-em-app-diz-quaest/

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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