O setor de bioinsumos brasileiro vive um momento de expansão acelerada. De fato, em 2025, o país concedeu 162 registros de novos produtos biológicos para a agricultura, o maior número da história. Dessa forma, esses bioinsumos — que incluem microrganismos, extratos naturais e óleos essenciais usados para proteger plantas ou melhorar a produtividade — crescem a uma taxa de 22% ao ano no Brasil, ou seja, quatro vezes mais rápido que a média mundial.
Para contextualizar: imagine o Brasil como uma empresa que está ampliando rapidamente sua linha de produtos sustentáveis e agora precisa garantir que eles sejam aceitos em lojas do mundo todo. Portanto, é exatamente isso que a participação nas reuniões da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) busca: harmonizar as regras brasileiras com os padrões internacionais, facilitando a exportação.
Números que impressionam
A área tratada com bioinsumos no Brasil saltou para 158,6 milhões de hectares na safra 2024/25, crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Por exemplo, para ter uma ideia da dimensão, essa área equivale a quase três vezes o território da França. Além disso, o faturamento do setor avançou 30% entre 2022 e 2024, alcançando R$ 4,5 bilhões — um mercado que já rivaliza com segmentos tradicionais do agronegócio brasileiro.
Segundo a ApexBrasil, agência governamental responsável por promover exportações brasileiras, as discussões técnicas em Paris abordaram desafios como a avaliação de risco de misturas complexas (quando vários ingredientes naturais são combinados). Em seguida, também foi discutida a diferenciação entre toxicidade e patogenicidade — conceitos cruciais para determinar se um produto biológico é seguro para uso agrícola.
Comparação internacional
Enquanto o Brasil cresce 22% ao ano em bioinsumos, o mercado global avança cerca de 5,5% anualmente. Por outro lado, a título de comparação, a União Europeia, que possui regulação rigorosa para produtos agrícolas, tem enfrentado dificuldades para aprovar novos bioinsumos devido à complexidade dos processos de avaliação — exatamente o tipo de entrave que o Brasil busca evitar ao participar das discussões da OCDE.
A convergência regulatória, segundo Barbara Cordeiro, adida agrícola da delegação brasileira em Paris, “amplia a previsibilidade e cria ambiente favorável para a expansão internacional das empresas brasileiras”. Em outras palavras: regras alinhadas com padrões globais reduzem barreiras comerciais e facilitam a entrada de produtos brasileiros em mercados exigentes como Europa, Estados Unidos e Ásia.
O projeto Renera
A participação brasileira nas reuniões da OCDE integra o projeto Renera — Brazilian Bioinputs Innovation Hub, desenvolvido pela ApexBrasil em parceria com a CropLife Brasil. Assim, o objetivo é posicionar o país como referência global na produção e exportação de bioinsumos, aproveitando a liderança brasileira em tecnologias sustentáveis para a agricultura. Por conseguinte, a iniciativa busca gerar oportunidades de negócios, atrair investimentos em bioeconomia e consolidar a imagem do Brasil como polo de soluções baseadas na natureza.
📊 Número do Dia
162 — registros de bioinsumos concedidos em 2025, recorde histórico no Brasil
Por que isso importa
Sobretudo para as empresas brasileiras do setor, a harmonização regulatória com padrões da OCDE reduz custos de adequação e acelera a entrada em mercados internacionais. Da mesma forma, para o país, representa a consolidação de uma vantagem competitiva em um segmento de alta tecnologia e sustentabilidade, com potencial para diversificar a pauta exportadora e atrair investimentos estrangeiros. Finalmente, para o produtor rural, isso significa acesso a mais opções de manejo agrícola sustentável, reduzindo dependência de defensivos químicos.
Fonte original: ApexBrasil












