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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Fila de espera valoriza a revenda de jatos particulares

Compradores de jatos particulares estão revendendo aeronaves logo após a entrega por milhões de dólares acima do preço de compra. Reportagem do Financial Times publicada pela Folha de S.Paulo em 20 de outubro de 2026 relaciona esse movimento à demanda elevada e aos atrasos na produção.

Demanda forte e atrasos na produção valorizam jatos recém-entregues. Especialistas explicam como a espera permite revendas acima do preço original.

O negócio não depende apenas de encontrar alguém disposto a comprar um avião caro. Depende de encontrar alguém disposto a pagar para não esperar. Segundo Oliver Tebbit, sócio da equipe aeroespacial do escritório HFW, encomendas feitas agora podem ter entrega apenas em 2029 ou 2030. Nesse intervalo, uma aeronave disponível ganha valor diante de outra ainda na fila de produção.

O preço de evitar a espera

A reportagem publicada pela Folha de S.Paulo aponta escassez de peças fundidas e forjadas e de mão de obra. As carteiras de pedidos dos grandes fabricantes cresceram mais rapidamente que sua capacidade de entregar aviões. Com a oferta limitada, parte dos interessados procura o mercado de usados, inclusive aeronaves que acabaram de sair da fábrica.

Tebbit estima que um Gulfstream G700, cujo preço novo costuma ficar em cerca de US$ 80 milhões antes da personalização, poderia ser revendido com ágio de 10%, isto é, acima do valor original. Trata-se de uma possibilidade para esse modelo, não de uma valorização garantida para qualquer jato.

Um consultor relatou um caso concreto: uma empresa de capital aberto encomendou uma aeronave por US$ 77 milhões e a vendeu por US$ 84 milhões quando a recebeu, seis meses antes da reportagem. A diferença entre compra e venda não equivale necessariamente ao lucro líquido, que depende dos custos da operação.

A restrição mudou o momento da revenda

Segundo Mike Francis, responsável pelo financiamento de aviação do Citi, fabricantes passaram a restringir a transferência dos contratos antes da entrega porque ela afetava seu controle sobre os preços. Os compradores passaram, então, a vender o próprio avião no recebimento ou pouco depois. A limitação contratual mudou a etapa da transação, sem eliminar o incentivo econômico.

Para compradores brasileiros que considerem disputar essas aeronaves, o mecanismo também é relevante: se precisarem de disponibilidade imediata, poderão enfrentar um preço superior ao de uma encomenda. A reportagem, porém, não quantifica operações ou efeitos no Brasil.

O prêmio de revenda remunera, sobretudo, o acesso antecipado a uma oferta escassa. Se os fabricantes conseguirem aproximar as entregas da demanda, pagar para evitar a fila poderá perder atratividade. Enquanto a espera tiver valor para o comprador, receber primeiro continuará sendo uma vantagem negociável.

📊 Número do Dia

10% : Ágio possível na revenda de um Gulfstream G700, segundo estimativa de Oliver Tebbit citada na reportagem publicada em 20 de outubro de 2026.

Por que isso importa

A demora na entrega transforma a disponibilidade imediata em parte do preço do jato. Isso pode beneficiar quem recebe uma aeronave e encarecer a compra para quem não quer esperar.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/revenda-de-jatos-particulares-rende-lucro-de-milhoes-a-proprietarios.shtml