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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Combustível pressiona Azul mesmo após reestruturação

A Azul prevê uma recuperação mais lenta se os preços do combustível de aviação permanecerem elevados. Segundo reportagem da Reuters publicada pela Folha de S.Paulo, o diretor financeiro Antonio Carlos Garcia afirmou na segunda-feira (19) que o cronograma pode atrasar um ano ou mais nessa condição.

Azul relata repasse de 60% a 65% da alta do combustível às tarifas e prevê recuperação mais lenta se os preços seguirem elevados, apesar da reestruturação.

A pressão sobre a Azul está na diferença entre o combustível que encarece e a parcela desse aumento que chega às passagens. Segundo Antonio Carlos Garcia, a companhia conseguiu repassar aos clientes, pelas tarifas, de 60% a 65% dos aumentos no preço do combustível de aviação. A parcela não repassada continua pesando sobre as margens, isto é, sobre o que sobra da receita depois dos custos.

O repasse incompleto limita a recuperação

O mecanismo ajuda a entender por que a saída da recuperação judicial não encerrou as dificuldades. A Azul deixou em fevereiro o Chapter 11, procedimento de recuperação judicial nos Estados Unidos, após reestruturar seu balanço. Em agosto, informou que a dívida total havia caído para R$ 21,4 bilhões. Reorganizar dívidas, porém, não elimina a pressão de um insumo necessário para operar os voos.

Repassar custos e recuperar rentabilidade não são a mesma coisa. Se o combustível permanece caro e o reajuste das passagens cobre apenas parte do aumento, a companhia precisa absorver a diferença ou compensá-la com outras receitas e ganhos de eficiência. Isso não significa que novos reajustes estejam anunciados: explica por que o repasse relatado pelo executivo ainda deixa pressão sobre o negócio.

Capacidade menor, retomada cautelosa

A Azul espera terminar 2026 com capacidade cerca de 5% inferior à de 2025. Segundo Garcia, essa estratégia já havia sido adotada antes do impacto mais recente do combustível. No segundo trimestre, a empresa reduziu a capacidade em mais de 10% na comparação anual, em resposta à alta dos preços, e esperava retomar um crescimento modesto a partir do quarto trimestre.

O executivo afirmou que algumas frequências já estão sendo restabelecidas e aeronaves voltam à operação, sem caracterizar expansão agressiva. Para os passageiros, a capacidade disponível importa porque delimita a oferta de transporte. Para a empresa, recolocar aviões em serviço amplia a possibilidade de receita, mas também exige gastos: a retomada precisa compensar o custo de operar.

Há ainda uma diferença entre melhorar a operação e ter dinheiro disponível. Garcia disse que a Azul se aproxima de gerar caixa livre positivo operacionalmente, mas que pagamentos ligados à reestruturação ainda prejudicam a geração de caixa.

A recuperação, portanto, depende de transformar a retomada dos voos em receita suficiente para cobrir os custos e sustentar o caixa. Se o combustível continuar elevado e o repasse permanecer parcial, ampliar a operação, por si só, não resolve essa diferença.

📊 Número do Dia

60% a 65% : Parcela dos aumentos do combustível de aviação repassada às tarifas pela Azul, segundo relato do diretor financeiro em 19 de outubro de 2026.

Por que isso importa

O repasse parcial do combustível pressiona a rentabilidade da Azul mesmo após a reestruturação. A retomada dos voos pode ampliar receitas, mas precisa cobrir os custos adicionais sem agravar a pressão sobre o caixa.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/azul-preve-recuperacao-mais-demorada-devido-a-pressao-dos-custos-com-combustivel.shtml