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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Americanas sai da recuperação, mas ainda precisa superar prejuízo

A Justiça do Rio de Janeiro encerrou nesta segunda-feira (19) a recuperação judicial da Americanas. Segundo a Folha de S.Paulo, o juiz considerou cumpridas as obrigações do plano que venciam até dois anos após sua homologação, em fevereiro de 2024.

Justiça encerra recuperação judicial da Americanas. Cumprimento do plano não elimina prejuízo nem disputas com credores; veja o que a decisão representa.

A decisão do juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial do Rio, teve apoio da administradora judicial e do Ministério Público estadual. O processo começou em janeiro de 2023, quando a Americanas informou dívidas de cerca de R$ 43 bilhões e mais de 16,3 mil credores, após a revelação da fraude contábil.

Encerrar a recuperação não equivale a declarar que a empresa voltou a dar lucro. O reconhecimento judicial diz respeito ao cumprimento das obrigações previstas para aquele período. A capacidade de sustentar o negócio depende também das vendas, dos custos e da geração de dinheiro para honrar os compromissos seguintes.

O acordo continua sujeito a disputas

Segundo a Folha, credores com títulos em moeda estrangeira contestavam a conversão de seus créditos de dólares para reais, alegando que ela reduziu os pagamentos. O juiz rejeitou o argumento porque esses credores aprovaram o plano sem ressalvas e aderiram à modalidade de pagamento escolhida.

Fornecedores menores também reclamavam de pagamentos não recebidos ou pediam informações. Para o magistrado, essas controvérsias seguem as regras do plano e não impedem o encerramento. Ele destacou que credores ainda podem apontar descumprimento ou pedir a falência da companhia. Portanto, a decisão não elimina as possibilidades de cobrança.

Rentabilidade operacional não elimina o prejuízo

A Americanas classificou o desfecho como um marco. Seu presidente, Fernando Soares, afirmou que a companhia executou um plano de readequação e apresentou indicadores crescentes de rentabilidade nos últimos dois anos. Mas o resultado final ainda era negativo: a varejista registrou prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, conforme os dados publicados pela Folha.

Os indicadores medem aspectos diferentes. Uma melhora na operação pode coexistir com prejuízo, pois o resultado final incorpora outros custos e despesas. Para os credores, importa se essa melhora se transforma em recursos disponíveis para pagar as obrigações, e não apenas em avanço de um indicador.

A rede também ficou menor: eram 1.446 lojas em agosto de 2026, ante 1.880 quando pediu recuperação. Uma estrutura reduzida pode diminuir despesas, mas também limita a presença comercial. O ganho depende de quanto cada unidade consegue vender e gerar de resultado.

O encerramento resolve uma etapa judicial importante. Para que represente uma recuperação econômica duradoura, a Americanas precisará converter a melhora operacional relatada em resultados capazes de sustentar os pagamentos, sem depender da proteção que agora termina.

📊 Número do Dia

R$ 274 milhões : Prejuízo da Americanas no segundo trimestre de 2026, segundo dados publicados pela Folha de S.Paulo.

Por que isso importa

O fim da recuperação reconhece o cumprimento das obrigações do período supervisionado, mas a continuidade dos pagamentos depende da capacidade da varejista de gerar recursos. Essa diferença importa para fornecedores, credores e para a sustentação do negócio.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/justica-do-rio-encerra-recuperacao-judicial-da-americanas-apos-fraude.shtml