A decisão do juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial do Rio, teve apoio da administradora judicial e do Ministério Público estadual. O processo começou em janeiro de 2023, quando a Americanas informou dívidas de cerca de R$ 43 bilhões e mais de 16,3 mil credores, após a revelação da fraude contábil.
Encerrar a recuperação não equivale a declarar que a empresa voltou a dar lucro. O reconhecimento judicial diz respeito ao cumprimento das obrigações previstas para aquele período. A capacidade de sustentar o negócio depende também das vendas, dos custos e da geração de dinheiro para honrar os compromissos seguintes.
O acordo continua sujeito a disputas
Segundo a Folha, credores com títulos em moeda estrangeira contestavam a conversão de seus créditos de dólares para reais, alegando que ela reduziu os pagamentos. O juiz rejeitou o argumento porque esses credores aprovaram o plano sem ressalvas e aderiram à modalidade de pagamento escolhida.
Fornecedores menores também reclamavam de pagamentos não recebidos ou pediam informações. Para o magistrado, essas controvérsias seguem as regras do plano e não impedem o encerramento. Ele destacou que credores ainda podem apontar descumprimento ou pedir a falência da companhia. Portanto, a decisão não elimina as possibilidades de cobrança.
Rentabilidade operacional não elimina o prejuízo
A Americanas classificou o desfecho como um marco. Seu presidente, Fernando Soares, afirmou que a companhia executou um plano de readequação e apresentou indicadores crescentes de rentabilidade nos últimos dois anos. Mas o resultado final ainda era negativo: a varejista registrou prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, conforme os dados publicados pela Folha.
Os indicadores medem aspectos diferentes. Uma melhora na operação pode coexistir com prejuízo, pois o resultado final incorpora outros custos e despesas. Para os credores, importa se essa melhora se transforma em recursos disponíveis para pagar as obrigações, e não apenas em avanço de um indicador.
A rede também ficou menor: eram 1.446 lojas em agosto de 2026, ante 1.880 quando pediu recuperação. Uma estrutura reduzida pode diminuir despesas, mas também limita a presença comercial. O ganho depende de quanto cada unidade consegue vender e gerar de resultado.
O encerramento resolve uma etapa judicial importante. Para que represente uma recuperação econômica duradoura, a Americanas precisará converter a melhora operacional relatada em resultados capazes de sustentar os pagamentos, sem depender da proteção que agora termina.
📊 Número do Dia
R$ 274 milhões : Prejuízo da Americanas no segundo trimestre de 2026, segundo dados publicados pela Folha de S.Paulo.
Por que isso importa
O fim da recuperação reconhece o cumprimento das obrigações do período supervisionado, mas a continuidade dos pagamentos depende da capacidade da varejista de gerar recursos. Essa diferença importa para fornecedores, credores e para a sustentação do negócio.
