O investimento busca mudar a composição da energia produzida numa cidade que depende da geração local. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, com informações da Reuters, a termelétrica de Codajás, com 5,4 megawatts (MW) de capacidade, está sendo integrada a uma instalação solar de 9,7 megawatts-pico (MWp). Esta última medida indica a potência dos painéis em condições de referência, não a quantidade de eletricidade que entregarão continuamente.
Menos combustível, sem dispensar o gás
O desenho prevê que os painéis assumam parte da geração durante o dia, reduzindo a necessidade de queimar gás natural. À noite, o combustível será usado como fonte principal. O mecanismo econômico é direto: se a produção solar substituir geração a gás, será possível produzir eletricidade consumindo menos combustível. Isso pode reduzir despesas de operação, mas exige primeiro o investimento na instalação e na integração das duas fontes.
O retorno dos R$ 59 milhões depende, portanto, da economia obtida ao longo do funcionamento do conjunto. Importam o volume de gás efetivamente poupado, seu custo e as despesas de operação e manutenção. O material divulgado não apresenta uma estimativa desse retorno nem permite traduzir o investimento em redução da conta de luz dos consumidores.
Em Codajás, a integração precisa preservar o fornecimento
A cidade faz parte dos chamados sistemas isolados, localidades que não recebem eletricidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), a rede que conecta geração e consumo em grande parte do país. Segundo a reportagem, esses sistemas dependem majoritariamente de termelétricas locais. Nesse contexto, substituir parte do combustível por sol precisa ser compatível com a continuidade do abastecimento quando a produção dos painéis variar.
A Âmbar afirma que a combinação acrescentará segurança ao fornecimento e estima que a geração solar poderá evitar cerca de 10 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano. São benefícios projetados pela empresa, não resultados já medidos do projeto concluído.
A lógica econômica da reforma está em economizar gás sem comprometer a energia disponível na cidade. Se a integração entregar essa combinação com custos operacionais menores, o investimento poderá gerar ganhos recorrentes. Instalar os painéis é a etapa física; coordenar as duas fontes determinará o resultado econômico.
📊 Número do Dia
R$ 59 milhões : Investimento informado pela Âmbar em 19 de outubro de 2026 para integrar geração a gás e solar em Codajás; conclusão prevista para dezembro.
Por que isso importa
A geração solar pode reduzir o consumo de gás numa cidade dependente de produção local de eletricidade. O ganho econômico dependerá da economia de combustível e dos custos de manter as duas fontes funcionando de forma coordenada.
