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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Maioridade penal: proposta exige comparar custos e segurança

O Senado discute propostas para reduzir a maioridade penal, hoje fixada em 18 anos. Segundo a Revista Oeste, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, retirou a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública da pauta em outubro por falta de consenso e impasses gerados por emendas.

Propostas de redução da maioridade penal estão em discussão no Senado. Análise explica a relação entre custos de custódia e resultados em segurança.

Uma das emendas, apresentada pelo senador Rogério Marinho, propõe responsabilização criminal a partir dos 16 anos como regra geral e dos 14 para crimes hediondos. A reportagem da Revista Oeste informa que líderes discutem separar esse tema da PEC para permitir o avanço do restante do texto. Trata-se de uma discussão legislativa, não de uma mudança já aprovada.

O ponto de partida não é a ausência de responsabilização. Conforme a publicação, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas para adolescentes de 12 a 18 anos incompletos, com internação máxima de três anos e liberação compulsória aos 21. A mudança proposta alteraria o regime de responsabilização dos grupos alcançados.

Mais tempo de custódia mobiliza mais recursos

A Oeste cita dados do Conselho Nacional de Justiça segundo os quais mais de 11 mil adolescentes e jovens cumprem medidas socioeducativas, dos quais mais de 8 mil estão internados. A reportagem não informa a data de referência desses números. Eles dimensionam a população atendida, mas não representam quantas pessoas seriam alcançadas pelas emendas.

O mecanismo fiscal depende do que acontecer com essa população. Se a mudança ampliar o número de pessoas sob custódia do Estado ou o tempo de privação de liberdade, aumentará a necessidade de recursos para custódia, mantidas as demais condições. Instalações, pessoal e atendimento precisam acompanhar o volume de pessoas e a duração da custódia. Uma eventual transferência entre sistemas também deve entrar nessa conta.

O benefício depende da segurança produzida

Esse custo pode ter contrapartida se a política evitar crimes. A redução de danos às vítimas e de perdas materiais constitui benefício econômico, além do valor da proteção à vida. A comparação relevante é entre recursos adicionais empregados e resultados obtidos, não apenas entre idades mínimas.

A reportagem relaciona países bem colocados no Global Peace Index de 2026 a regras de responsabilização abaixo dos 18 anos. Essa associação, porém, não demonstra que a idade penal explique o desempenho em segurança: países diferem também na aplicação das punições e em outras condições.

Para o contribuinte, ampliar a punição será um uso melhor dos recursos se o ganho de segurança compensar o custo adicional. Para os jovens alcançados e as potenciais vítimas, o resultado dependerá de como a mudança funcionar na prática. É essa relação, e não a severidade isolada da pena, que permite avaliar sua eficácia econômica.

📊 Número do Dia

Mais de 8 mil : Adolescentes e jovens em internação, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça citados pela Revista Oeste em 19 de outubro de 2026, sem data de referência informada.

Por que isso importa

Se a redução da maioridade penal ampliar o número de pessoas sob custódia do Estado ou o tempo de privação de liberdade, exigirá recursos adicionais. O retorno econômico dependerá da segurança produzida em comparação com esse custo.


Fonte original: https://revistaoeste.com/mundo/maioridade-penal-brasil-pune-com-3-anos-o-que-exterior-pune-com-perpetua/