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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Brasil ganha força na OMC, mas tarifas dificultam barganha

O Brasil e outros países em desenvolvimento ganharam poder de negociação na Organização Mundial do Comércio (OMC), avalia o economista-chefe da entidade, Robert Staiger. Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada em 18 de outubro, ele apontou um impasse: os emergentes têm mercados cobiçados, mas os países ricos dispõem de menos tarifas para reduzir em troca.

Brasil e outros emergentes ganham poder de negociação na OMC, mas diferenças tarifárias dificultam trocas. Veja os efeitos possíveis de uma abertura comercial.

Segundo a avaliação apresentada por Staiger à Folha de S.Paulo, as nações em desenvolvimento dobraram seu peso comercial nas últimas três décadas. Continuam, porém, beneficiadas pelo tratamento diferenciado previsto nas regras de 1995, quando a OMC foi criada, que lhes permite manter tarifas mais altas. O contraste entre força econômica e compromissos comerciais está no centro da dificuldade de negociação descrita pelo economista.

Mercados valiosos, trocas difíceis

O mecanismo é concreto. Em uma negociação recíproca, um país reduz barreiras à entrada de produtos estrangeiros para obter acesso mais favorável aos mercados dos parceiros. Na avaliação de Staiger, os países desenvolvidos já reduziram suas tarifas e têm menos cortes a oferecer. Os emergentes conservam mais espaço para conceder abertura, mas encontram uma contrapartida tarifária limitada.

Isso não significa que o mercado brasileiro tenha perdido valor. Ao contrário: Staiger considera que o acesso aos mercados do Brasil e de outras economias em desenvolvimento é justamente o que lhes dá poder real de negociação. Ter algo desejado pelos parceiros, contudo, não garante uma troca fácil quando a moeda tradicional da negociação, a redução de tarifas, está distribuída de forma desigual.

A concessão também tem efeitos internos

Para o Brasil, avaliar uma abertura envolve mais do que contar concessões estrangeiras. Tarifas são tributos sobre importações. Se sua redução chegar aos preços, consumidores e empresas que compram produtos ou insumos de fora podem pagar menos. A concorrência também pode pressionar produtores locais a buscar eficiência, enquanto empresas expostas à disputa podem perder vendas e margens.

Esses são efeitos possíveis do mecanismo, não resultados já observados na entrevista. O material não apresenta um acordo específico ou um cronograma de redução tarifária para o Brasil. Staiger defende reformas incrementais na OMC, por meio de um processo institucional contínuo, em vez de um pacote fechado com prazos rígidos.

A tensão, portanto, não se resolve apenas preservando proteção nem oferecendo abertura a qualquer preço. O mercado brasileiro pode render poder de barganha se houver contrapartidas relevantes. E uma eventual negociação precisa considerar também os ganhos e os custos dentro do país: obter poucas concessões tarifárias externas não significa, por si só, que reduzir uma barreira doméstica seja economicamente desvantajoso.

📊 Número do Dia

Dobro do peso comercial : Segundo a avaliação apresentada por Robert Staiger à Folha, as nações em desenvolvimento dobraram seu peso no comércio global nas últimas três décadas.

Por que isso importa

O acesso ao mercado brasileiro é um ativo de negociação, mas diferenças tarifárias dificultam trocas com países desenvolvidos. Uma eventual abertura também pode alterar preços, custos e concorrência no Brasil, com ganhos e perdas distintos entre consumidores e produtores.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/poder-de-barganha-dos-emergentes-cresceu-e-isso-e-um-desafio-para-a-omc-diz-economista-chefe.shtml