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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Contrato de Dark Horse conecta produtora a ONG investigada

A Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, contratou equipamentos cenográficos de uma empresa ligada a um conselheiro do Instituto Conhecer Brasil, investigado por suspeitas de desvio de recursos públicos. Segundo a Jovem Pan, o contrato, referente às filmagens de 2025, está entre os documentos entregues à Polícia Federal.

Contrato de R$ 1,5 milhão de Dark Horse liga produtora a empresa de conselheiro de ONG investigada. Veja os vínculos e a questão econômica em apuração.

O acordo com a HCG Projetos e Cenografia, conhecida como HCamargo, estabelece R$ 1.547.158,68 pela locação de estruturas e equipamentos entre 20 de outubro e 10 de dezembro de 2025. Segundo a Jovem Pan, o documento foi formalizado em abril de 2026, depois do período de utilização previsto.

A reportagem identificou comprovantes bancários de duas das três parcelas contratuais, incluindo uma transferência de R$ 717.783,18 em 20 de abril de 2026. Contrato e comprovante registram etapas diferentes: o primeiro estabelece obrigações; o segundo documenta uma movimentação financeira. Nenhum deles, isoladamente, demonstra a origem dos recursos ou a adequação do preço cobrado.

Os vínculos entre quem contrata e quem fornece

Eduardo Ferreira Franco é sócio-administrador da HCamargo e conselheiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB). Karina Ferreira da Gama comanda a Go Up e preside o instituto. Essa sobreposição de funções torna relevante examinar como o fornecedor foi escolhido e quais condições comerciais foram pactuadas, sem transformar o vínculo em prova de favorecimento.

O mecanismo econômico é concreto: se relações entre dirigentes substituem a comparação entre fornecedores, o contratante pode perder poder de negociação e pagar mais pelo mesmo serviço. Se a escolha preserva critérios técnicos e preços competitivos, a ligação pessoal, por si só, não demonstra prejuízo. A questão é a qualidade da contratação, não apenas a existência da relação.

A suspeita envolve dinheiro destinado à internet gratuita

Segundo a Jovem Pan, a Polícia Civil de São Paulo investiga suspeitas de fraudes e desvios em um contrato de R$ 108 milhões entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo. A apuração busca verificar se parte dos recursos destinados à instalação de pontos de internet gratuita foi desviada para financiar Dark Horse. A Polícia Federal investiga, paralelamente, o financiamento do filme.

Para o contribuinte e o usuário do serviço, o possível custo está nessa mudança de finalidade: se dinheiro reservado à conectividade tiver financiado outra atividade, haverá menos recursos disponíveis para o objeto contratado. Trata-se da hipótese investigada, não de um desvio comprovado.

O encontro entre a produtora, o fornecedor e os dirigentes do instituto justifica atenção às transações, mas não fecha o caminho do dinheiro. A consequência econômica depende de estabelecer esse percurso: pagamentos por serviços efetivamente prestados e a preços adequados têm significado distinto de transferências que retirem recursos da finalidade pública contratada.

📊 Número do Dia

R$ 1.547.158,68 : Valor contratual da locação de estruturas e equipamentos cenográficos para Dark Horse, referente ao período de 20 de outubro a 10 de dezembro de 2025.

Por que isso importa

A investigação pode esclarecer se recursos destinados à internet gratuita financiaram outra atividade. Os vínculos entre dirigentes tornam a seleção de fornecedores e o percurso dos pagamentos centrais para avaliar eventual prejuízo.


Fonte original: https://jovempan.com.br/politica/produtora-de-dark-horse-fechou-contrato-de-r-15-milhao-com-empresa-ligada-a-ong-investigada/