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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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COP31 aposta em adesão voluntária para reduzir lixo

A Turquia pretende usar a COP31, prevista para novembro em Antália, para estimular governos e empresas a diminuir a geração de lixo. Segundo a Folha de S.Paulo, a iniciativa integra uma agenda de adesão voluntária, sem previsão de negociação formal sobre resíduos.

Turquia quer usar a COP31 para reduzir resíduos com adesão voluntária. Plataforma busca conectar soluções, mas resultados dependem de viabilidade econômica.

A presidência turca quer impulsionar a Plataforma de Istambul, apresentada em junho para reunir soluções de redução de resíduos hoje dispersas em diferentes áreas. Christian Mensah, conselheiro do campeão climático da COP31, disse à Folha de S.Paulo que a intenção é lançar uma declaração de apoio à plataforma durante a conferência, aberta à assinatura dos países.

A ambição anunciada é reduzir pela metade o crescimento global dos resíduos até 2035. Isso não equivale a cortar pela metade o volume de lixo produzido. A distinção importa: desacelerar o aumento pode representar avanço em relação à trajetória esperada, mesmo que a quantidade total continue crescendo.

Coordenar soluções sem esperar um acordo

A aposta é avançar pela Agenda de Ação, que mobiliza governos e setor privado com medidas voluntárias. Segundo a reportagem, a negociação formal das conferências exige consenso entre representantes de quase 200 países. Trabalhar fora dessa mesa pode facilitar iniciativas entre os interessados, mas a adesão, por si só, não demonstra redução de resíduos.

O mecanismo econômico está em transformar descarte em insumo: aquilo que uma empresa joga fora pode servir à produção de outra. Ao aproximar esses agentes e organizar soluções existentes, a plataforma pode reduzir o custo de encontrar parceiros. Essa é a lógica da circularidade, que busca minimizar perdas e reaproveitar materiais.

A troca, porém, precisa fazer sentido econômico. Se separar, transportar e preparar o resíduo custar mais do que seu aproveitamento proporciona, a conexão entre empresas pode não se sustentar. Para governos e empresas do Brasil, uma eventual participação envolveria avaliar essas condições, e não apenas endossar a declaração.

Tributação é uma defesa, não uma decisão

Mensah também defendeu taxar empresas cujos produtos geram muito lixo. Trata-se de uma posição do conselheiro, não de uma medida aprovada. Uma cobrança desse tipo pode incentivar a redução do descarte ao incorporá-lo aos custos da produção; seu efeito dependeria do desenho e das alternativas disponíveis às empresas.

Há uma razão climática para buscar resultados: segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática citados pela Folha, os resíduos responderam por 4% das emissões globais de gases de efeito estufa em 2019. A contribuição da plataforma dependerá de converter encontros e compromissos em reaproveitamento economicamente viável e redução efetiva do lixo, não apenas em novas assinaturas.

📊 Número do Dia

4% : Participação dos resíduos nas emissões globais de gases de efeito estufa em 2019, segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática citados pela Folha.

Por que isso importa

A articulação entre empresas pode transformar resíduos em insumos e reduzir perdas. Para produzir resultados, porém, o aproveitamento precisa compensar seus custos, e a adesão voluntária precisa se traduzir em mudanças efetivas.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/economia-sustentavel/2026/10/cop31-pretende-estimular-governos-e-empresas-a-reduzir-geracao-de-lixo.shtml