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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Cartas de Pokémon: preço milionário não garante revenda

Uma carta Pikachu Illustrator foi vendida em leilão por US$ 16,5 milhões, equivalentes a R$ 86 milhões na cotação da época, em fevereiro de 2026. Segundo a Folha de S.Paulo, nostalgia e expectativa de lucro também movimentam o mercado brasileiro, mas a valorização não é garantida.

Carta de Pokémon vendida por R$ 86 milhões expõe a distância entre raridade e revenda. Veja como procura e liquidez afetam o mercado de colecionáveis.

No Brasil, a trajetória de Diogo Pires mostra que uma coleção pode se transformar em patrimônio. Cofundador da Liga Pokémon, plataforma especializada na negociação dessas cartas, ele vendeu parte de seu acervo a um colecionador da Nova Zelândia por US$ 20 mil em 2018, cerca de R$ 73 mil na cotação média daquele período. O dinheiro ajudou a comprar uma casa, relata a Folha de S.Paulo.

O próprio Pires, porém, atribui o resultado à sorte de ter colecionado algo que se valorizou. Essa distinção importa: o prazer de guardar um objeto existe independentemente da revenda; o ganho financeiro exige encontrar alguém disposto a pagar mais por ele.

A raridade não se distribui por toda a coleção

A carta milionária tem características particulares. Produzida em 1998 como prêmio de um concurso de ilustração, a Pikachu Illustrator teve apenas 39 cópias originalmente distribuídas. O exemplar vendido é o único conhecido com nota máxima da certificadora americana citada pela reportagem.

Na outra ponta, a maioria das cartas tem baixo valor de mercado, com exemplares anunciados a partir de R$ 0,25 na Liga Pokémon. Novas expansões chegam a cada dois ou três meses, com centenas de modelos. Os pacotes vendidos ao público não revelam previamente quais cartas contêm. Comprar um pacote, portanto, não equivale a comprar uma raridade identificada.

O preço depende da combinação entre oferta e procura por cada exemplar. Raridade, conservação, popularidade do personagem e utilidade nos torneios podem influenciar essa procura, segundo os profissionais ouvidos pela Folha. O crescimento do interesse pela franquia não demonstra que todas as cartas se valorizarão: exemplares diferentes disputam compradores por razões diferentes.

Preço anunciado não é dinheiro disponível

É nesse ponto que entra a liquidez, a facilidade de transformar o item em dinheiro. A educadora financeira Cássia D’Aquino explica à reportagem que uma carta anunciada por R$ 10 mil pode não encontrar comprador nesse valor. Se o dono precisar vender rapidamente, poderá ter de aceitar menos.

Para o colecionador brasileiro que também espera lucrar, a tensão está entre conservar um objeto desejado e depender de uma negociação futura. Uma venda excepcional comprova o valor alcançado por aquele exemplar, não o retorno de uma coleção inteira. O ganho só se concretiza quando o interesse de outro comprador se transforma em pagamento.

📊 Número do Dia

R$ 86 milhões : Valor equivalente, na cotação da época, aos US$ 16,5 milhões pagos por uma carta Pikachu Illustrator em leilão em fevereiro de 2026.

Por que isso importa

A expectativa de valorização pode levar colecionadores a comprometer dinheiro com cartas cuja revenda depende da procura por cada exemplar. Preços excepcionais não garantem que outros itens encontrem compradores ou possam ser vendidos rapidamente.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/nostalgia-e-expectativa-de-lucro-impulsionam-mercado-de-cartas-de-pokemon-com-precos-de-ate-r-86-milhoes.shtml