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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Dívida acima do desejado avança entre indústrias

Quase uma em cada cinco empresas industriais declarou ter dívidas acima do nível desejado, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) noticiado pela Folha de S.Paulo em 16 de outubro de 2026. A parcela que considera a situação crítica chegou a 5,8% do total.

Pesquisa da CNI mostra avanço das indústrias com dívidas acima do desejado. Veja como o aperto financeiro pode limitar a operação e o investimento.

A comparação com a edição anterior, realizada em 2025, mostra aumento do desconforto financeiro: a proporção de empresas com endividamento acima do desejável passou de 18% para 19,3%, avanço de 1,3 ponto percentual. Dentro desse grupo, as que classificam a situação como crítica, com dívidas muito acima do adequado, passaram de 5% para 5,8% do total pesquisado.

Os dados foram publicados pela coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo. O levantamento da CNI ouviu 1.701 empresas: 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes. Essa composição mostra a presença de diferentes portes na pesquisa, mas os resultados apresentados não permitem identificar em qual deles o aperto é maior.

O limite é o que cabe nas finanças

O indicador mede a avaliação das próprias empresas sobre suas dívidas. Não é uma taxa de inadimplência, nem informa quanto elas devem em reais. Sua relevância está em captar a distância entre o compromisso financeiro assumido e o nível que cada negócio considera adequado à própria situação.

Essa distância importa porque pagar juros e devolver o dinheiro tomado exige recursos do caixa. Se esses compromissos consumirem uma parcela maior dos recursos disponíveis, pode sobrar menos para comprar insumos, manter equipamentos ou ampliar a produção. O efeito depende da receita e das condições de pagamento, não apenas da existência de dívida.

Tomar crédito também pode financiar máquinas e projetos capazes de elevar a produtividade, isto é, produzir mais com os mesmos recursos. Por isso, dívida não equivale automaticamente a fragilidade. A tensão aparece quando o compromisso financeiro ultrapassa o patamar que a própria empresa julga compatível com seu negócio.

O aperto não descreve toda a indústria

A pesquisa também registra situações distintas: 24,5% das empresas disseram estar exatamente no limite desejável, 16,1% abaixo ou muito abaixo dele e 23,6% afirmaram não possuir dívidas. Esses resultados impedem tratar o endividamento excessivo como condição uniforme do setor.

O avanço da parcela acima do desejado sinaliza maior pressão em parte das empresas, não uma retração comprovada do investimento industrial. Se o pagamento das dívidas disputar recursos com a operação e a expansão, o desconforto declarado poderá virar restrição à produção. É por esse caminho, e não pela dívida isoladamente, que o problema financeiro pode alcançar a atividade.

📊 Número do Dia

19,3% : Parcela das empresas industriais que declarou endividamento acima do desejado no levantamento da CNI noticiado em 16 de outubro de 2026, ante 18% na edição de 2025.

Por que isso importa

Quando os compromissos com dívidas ultrapassam o que a empresa considera adequado, podem disputar caixa com a operação e o investimento. A pesquisa registra aumento desse desconforto, mas não comprova queda da produção.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/10/excesso-de-endividamento-atinge-uma-em-cada-cinco-industrias.shtml