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quinta-feira, 22 de outubro de 2026 Brasil

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Terras-raras na Bahia: pesquisa autorizada, exploracao ainda nao

Reportagem publicada pelo jornal O Globo em 10 de outubro de 2026 informa que a mineradora canadense Energy Fuels acumula dezenove titulos minerarios nos municipios de Nova Vicosa, Caravelas, Alcobaca e Prado, no sul da Bahia, regiao que abriga parques protegidos, santuario de baleias, terras indigenas e comunidades tradicionais.

Energy Fuels tem 19 titulos de pesquisa mineral no sul da Bahia para titanio e ilmenita, mas fala em monazita e uranio ao mercado, informa O Globo.

Segundo O Globo, os dezenove titulos dao a Energy Fuels, descrita pela publicacao como a maior produtora de uranio dos Estados Unidos, o direito de pesquisar titanio, cassiterita e ilmenita. Em comunicados ao mercado internacional, porem, a empresa teria informado que pretende explorar principalmente monazita e uranio. E essa distancia entre o que esta autorizado e o que foi comunicado a investidores que organiza toda a questao economica.

Pesquisa nao e lavra

Direito minerario e um ativo, nao uma fabrica. No ciclo da mineracao, autorizacao de pesquisa, concessao de lavra, licenciamento ambiental e operacao sao etapas distintas, com exigencias e prazos proprios. O material disponivel descreve titulos de pesquisa. Nao ha, no que foi divulgado, informacao de que exista extracao em curso. Tratar o anuncio como producao seria confundir expectativa com entrega, erro que vale tanto para quem celebra investimento quanto para quem antecipa desastre.

Por que a discrepancia importa

Quando o escopo declarado ao regulador e o escopo comunicado ao mercado nao coincidem, surge um problema de informacao que tem custo economico mensuravel. Investidores precificam um projeto de uranio e terras-raras de forma diferente de um projeto de areia pesada para titanio. Comunidades, prefeituras e orgaos ambientais tambem avaliam riscos de forma diferente. Monazita e uma fonte conhecida de terras-raras e carrega elementos radioativos associados, o que coloca o tema sob exigencias regulatorias mais severas do que a mineracao de minerais industriais comuns. A reportagem registra que o projeto vem gerando preocupacao sobre riscos de contaminacao. Trata-se de preocupacao relatada, nao de contaminacao documentada.

Ativos concorrentes no mesmo territorio

O sul da Bahia ja tem uma economia instalada. Turismo de observacao de baleias, areas protegidas e atividades de comunidades tradicionais geram renda e dependem diretamente da integridade ambiental e da reputacao do destino. Mineracao em territorio com esses usos nao e apenas uma soma de investimento: e uma disputa por um mesmo espaco e por um mesmo recurso natural. A pergunta economica correta nao e se a mineracao gera valor, mas se o valor gerado supera o valor que pode ser destruido, e quem arca com o risco caso a conta nao feche.

Seguranca juridica vale para os dois lados

Terras-raras sao insumo estrategico para eletronicos, defesa e transicao energetica, e o Brasil tem interesse legitimo em participar dessa cadeia. Mas atrair capital exige regras claras aplicadas de forma previsivel. Projetos que avancam com escopo ambiguo tendem a terminar em litigio, paralisacao e perda de valor para todos. Transparencia sobre o que se pretende extrair, consulta as comunidades afetadas e licenciamento proporcional ao risco radiologico nao sao obstaculos ao investimento: sao a condicao para que ele seja durável.

O que permanece aberto

O material disponivel nao permite afirmar em que estagio esta cada um dos dezenove titulos, qual o volume potencial dos depositos, nem qual a posicao formal dos orgaos ambientais e das comunidades envolvidas.

📊 Número do Dia

19 titulos minerarios , Numero de titulos atribuidos a Energy Fuels nos municipios de Nova Vicosa, Caravelas, Alcobaca e Prado, no sul da Bahia, segundo O Globo, dando direito de pesquisa de titanio, cassiterita e ilmenita.

Por que isso importa

A diferenca entre o que uma mineradora pede ao regulador e o que comunica a investidores define quem consegue avaliar corretamente o risco de um projeto. Em um territorio que ja gera renda com turismo, areas protegidas e comunidades tradicionais, essa assimetria de informacao e o que separa um investimento legitimo de um passivo juridico e ambiental futuro.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/10/10/multinacional-mira-terras-raras-e-uranio-no-santuario-ecologico-do-sul-da-bahia.ghtml