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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Leilão do pré-sal bate recorde, mas sem disputa real

O 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, realizado pela ANP na manhã desta quarta-feira (7) no Rio de Janeiro, arrematou sete dos 13 blocos ofertados e rendeu R$ 530 milhões em bônus de assinatura, segundo a Agência Brasil.

Leilão do pré-sal da ANP vendeu 7 de 13 blocos e arrecadou R$ 530 milhões em bônus, com ágio médio de 108,38% mesmo sem disputa em nenhuma área.

Foi o leilão de pré-sal com mais blocos vendidos até agora: sete áreas, contra cinco no 3º Ciclo, em 2025. A área exploratória sob regime de partilha cresce 58% e chega a 39,2 mil km², cerca de 90% do território do estado do Rio de Janeiro. As vencedoras foram Petrobras e Prio (duas áreas cada), a norueguesa Equinor (duas, uma em consórcio com a portuguesa Galp) e um consórcio das chinesas CNOOC e Sinopec.

O recorde esconde um detalhe incômodo

Das 19 empresas habilitadas, apenas seis apresentaram propostas e, em todos os sete blocos arrematados, houve um único lance. Ou seja: recorde de blocos vendidos, zero disputa efetiva. Seis áreas (Turmalina, Larimar, Aragonita, Opala, Granada e Cerussita) ficaram sem comprador e voltam para a prateleira da próxima rodada. Se tudo tivesse sido contratado, os bônus somariam R$ 1,24 bilhão, mais que o dobro do arrecadado.

Por que o ágio foi alto mesmo sem concorrência

No modelo de partilha, vence quem oferece à União a maior fatia do óleo excedente, a produção que sobra depois de pagos os custos. O edital define um piso por bloco e as ofertas são sigilosas: nenhuma empresa sabe de antemão o que a rival vai propor, nem onde vai propor. Esse desenho faz com que o concorrente solitário precise se proteger contra um rival imaginário. Resultado: todos os blocos saíram com ágio sobre o mínimo, variando de 8,07% (Cruzeiro do Sul, com a Petrobras) a 494,64% (Rodocrosita, com Equinor e Galp), com média de 108,38%.

É um bom argumento a favor do desenho institucional do leilão. O sigilo transforma incerteza em arrecadação. Mas a dispersão enorme dos ágios também sugere que os preços mínimos do edital podem estar calibrados de forma heterogênea em relação ao valor percebido de cada área. Um ágio de quase 495% diz tanto sobre o apetite do licitante quanto sobre o piso fixado pelo regulador.

Do leilão ao barril, uma distância longa

Nada disso é ainda petróleo extraído nem receita corrente. As vencedoras precisam cumprir etapas de documentação e pagar o bônus antes da assinatura dos contratos, prevista para 26 de fevereiro de 2027. Os compromissos de investimento mínimo somam R$ 778,4 milhões, valor de programa exploratório, não de desenvolvimento de campo. A partilha do óleo excedente e os royalties só entram em cena se houver produção comercial.

O contencioso que acompanha a expansão

O Instituto Arayara ingressou com Ação Civil Pública na Justiça Federal pedindo a não realização do leilão, alegando sobreposição das áreas com territórios indígenas e quilombolas, assentamentos, unidades de conservação e regiões de pesca artesanal. Houve protestos diante da sede da ANP. O MME informou que as áreas tiveram aval também do Ministério do Meio Ambiente. Para o investidor, risco jurídico pendente é custo embutido no preço do lance.

📊 Número do Dia

108,38% — Ágio médio sobre o percentual mínimo de óleo excedente nos sete blocos arrematados no 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, apesar de nenhum bloco ter recebido mais de um lance.

Por que isso importa

O desenho do leilão, com ofertas sigilosas e piso definido em edital, conseguiu extrair ágio médio superior a 100% mesmo sem concorrência efetiva em nenhum bloco. Mas a baixa adesão (seis propostas entre 19 habilitadas) e as seis áreas sem comprador mostram que o apetite por novas fronteiras do pré-sal é seletivo. E, até a assinatura dos contratos prevista para fevereiro de 2027, o resultado permanece como compromisso, não como receita realizada.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/maior-leilao-do-pre-sal-termina-com-sete-dos-13-blocos-arrematados