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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Carne bovina brasileira fora da Europa por pelo menos dois anos

Eric Thévenard, chefe de auditorias da autoridade sanitária da União Europeia, estimou nesta segunda-feira (28) que o Brasil não voltará a vender carne bovina ao bloco em menos de dois anos, segundo a Folha de S.Paulo.

Autoridade sanitária da UE estima que carne bovina brasileira não volta ao mercado europeu em menos de dois anos. Entenda o impacto econômico do veto.

A informação publicada nesta segunda-feira (29) pela Folha de S.Paulo traz uma estimativa que pesa sobre um dos setores exportadores mais relevantes do país. Segundo o jornal, o chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia, Eric Thévenard, declarou na véspera que o retorno da carne bovina brasileira ao mercado do bloco não deve ocorrer em prazo inferior a dois anos.

A declaração se insere no contexto do veto europeu às importações de carne bovina brasileira a partir de setembro, tema tratado em reportagem anterior da própria Folha referenciada no material. Trata-se, portanto, de uma estimativa de autoridade sanitária sobre prazo de retomada, e não de uma nova decisão formal do bloco nem de um cronograma oficial anunciado.

Barreira sanitária é barreira comercial

Restrições sanitárias funcionam como custo de entrada. Em comércio internacional, uma exigência sanitária legítima protege consumidores, mas seu efeito econômico é idêntico ao de uma barreira: reduz o acesso ao mercado e desloca fluxos comerciais. Quando o bloqueio é indeterminado, o problema se agrava, porque frigoríficos e pecuaristas precisam decidir hoje investimentos cujo retorno depende de uma data que ninguém conhece.

A estimativa de dois anos, ainda que informal, tem valor econômico justamente por isso: transforma incerteza absoluta em horizonte aproximado. Para quem planeja abate, contratos e capacidade instalada, saber que a porta provavelmente permanecerá fechada por esse período é uma informação que altera decisões de alocação de capital.

Para onde vai a carne que não embarca

O mercado não desaparece, ele se realoca. Volumes que deixam de ir à Europa tendem a buscar outros destinos ou o mercado interno. Essa realocação raramente é neutra: o mercado europeu costuma absorver cortes específicos, e substituí-lo exige encontrar compradores dispostos a pagar por esses mesmos produtos. Quando a substituição é imperfeita, a pressão recai sobre margens ao longo da cadeia, do frigorífico ao produtor.

Há ainda um efeito menos visível. Certificações e auditorias sanitárias são ativos reputacionais construídos ao longo de anos. Perdê-los é rápido, recuperá-los é lento e caro, porque depende de inspeções, adequações e verificação de terceiros. É essa assimetria que explica por que uma autoridade estrangeira fala em dois anos e não em dois meses.

O que ainda não está definido

Estimativa não é prazo oficial. O material disponível registra a avaliação de um auditor europeu, não um calendário pactuado entre Brasil e União Europeia. Permanecem abertas questões centrais: quais exigências precisam ser cumpridas, qual o custo dessa adequação para o setor privado e para o poder público, e se o prazo mencionado é otimista ou conservador. Até que essas respostas apareçam, o setor opera sobre uma estimativa, e estimativas não fecham contratos.

📊 Número do Dia

Menos de 2 anos: prazo descartado — Estimativa de Eric Thévenard, chefe de auditorias da autoridade sanitária da UE, feita em 28 de setembro de 2026, sobre o tempo mínimo para a carne bovina brasileira voltar ao mercado europeu, segundo a Folha de S.Paulo.

Por que isso importa

Um horizonte de pelo menos dois anos sem acesso ao mercado europeu obriga frigoríficos e pecuaristas a realocar volumes, renegociar contratos e absorver custos de adequação sanitária cujo retorno é incerto. Barreiras sanitárias, mesmo quando legítimas, produzem o mesmo efeito econômico de tarifas: encarecem o acesso e deslocam comércio.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/carne-bovina-brasileira-nao-entra-na-europa-em-menos-de-dois-anos-estima-autoridade-da-ue.shtml