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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Governo abre 70 processos contra postos por preço abusivo

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) instaurou nesta segunda-feira (21) 70 processos administrativos sancionadores contra postos de combustíveis por indícios de aumento abusivo de preços, com base em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Senacon abre 70 processos contra postos de combustíveis por aumento abusivo de preços, com multas de até R$ 14 milhões, segundo a Agência Brasil.

Setenta postos de combustíveis no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Paraná passam a responder a processos administrativos por possível abuso na formação de preços. Segundo a Agência Brasil, a Senacon abriu os processos nesta segunda-feira (21) com base em relatórios de fiscalização enviados pela ANP, que identificaram aumentos de margem superiores a 70% nesses estabelecimentos.

Margem é a diferença entre o preço de compra do combustível pelo posto e o valor cobrado do consumidor final. Quando essa diferença cresce muito mais rápido que os custos de aquisição, é um indício de que o aumento no preço da bomba não reflete uma elevação real de custo — e sim uma decisão de elevar o lucro sobre cada litro vendido.

O que pode acontecer com os postos

Com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC), os estabelecimentos notificados podem ser multados em até R$ 14 milhões cada. Antes disso, porém, têm 15 dias para apresentar defesa administrativa — ou seja, nenhuma penalidade foi aplicada até o momento, e os processos ainda estão em fase inicial.

A abertura dos processos teve um gatilho concreto: segundo a Agência Brasil, a ANP informou à Senacon, na última sexta-feira (18), ter recebido cerca de 330 denúncias de consumidores relatando possíveis aumentos abusivos de preços. Os dados de fiscalização foram compartilhados entre os dois órgãos para subsidiar a análise do comportamento do mercado.

Fiscalização nacional coordenada

A resposta institucional não se limitou aos 70 casos abertos. A Senacon convocou, para esta terça-feira (22), uma reunião nacional emergencial com órgãos estaduais e municipais de defesa do consumidor, com o objetivo de organizar ações de fiscalização em todo o país.

A estratégia combina medidas preventivas e repressivas para coibir aumentos de preço sem relação com custos reais de comercialização, segundo a secretaria. Isso significa que a fiscalização deve se espalhar para além dos quatro estados já identificados nos relatórios da ANP.

Para o consumidor, o caso ilustra um mecanismo pouco visível no dia a dia: o preço na bomba pode subir não apenas por variação no custo do combustível importado ou produzido, mas por decisões comerciais dos próprios postos. É esse segundo fator que a Senacon diz estar mirando agora.

O desfecho depende do que os postos notificados apresentarem em sua defesa e de quantos outros estabelecimentos a fiscalização nacional, iniciada nesta terça-feira, venha a identificar em outros estados.

📊 Número do Dia

R$ 14 milhões — Multa máxima prevista pelo Código de Defesa do Consumidor para cada um dos 70 postos investigados pela Senacon, conforme divulgado pela Agência Brasil

Por que isso importa

Consumidores que abastecem nos postos investigados podem ter pago preços elevados sem relação direta com o custo de aquisição do combustível pelo estabelecimento. Caso as investigações confirmem abuso, os postos podem enfrentar multas milionárias, mas o processo ainda está na fase de defesa, sem penalidade aplicada até agora.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/senacon-vai-investigar-70-postos-por-aumento-abusivo-de-precos