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quinta-feira, 3 de setembro de 2026 Brasil

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Conta de luz mantém cobrança extra em setembro

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (28) que a bandeira tarifária permanecerá amarela em setembro, mantendo o acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos nas contas de luz de todo o país.

Bandeira tarifária permanece amarela em setembro pelo 5º mês seguido. Seca reduz geração hidrelétrica e eleva custos com termelétricas. Entenda o impacto.

A conta de luz dos brasileiros continuará mais cara em setembro, pelo quinto mês consecutivo. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira tarifária amarela, o que significa um custo adicional de R$ 1,885 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos — uma unidade de medida que equivale, por exemplo, a deixar uma geladeira ligada por cerca de três dias ou um chuveiro elétrico funcionando por aproximadamente duas horas.

A razão para essa cobrança extra está no período seco que o Brasil atravessa. Com menos chuvas, os reservatórios das hidrelétricas (que funcionam como grandes baterias do país, armazenando água para gerar energia) ficam mais vazios. Isso obriga o governo a acionar usinas termelétricas, que queimam combustíveis como gás natural ou diesel para produzir eletricidade — um processo bem mais caro. É como se, em vez de usar a água da cisterna, você precisasse comprar água mineral todos os dias: funciona, mas pesa no bolso.

Como o Brasil se compara a outros países

O sistema de bandeiras tarifárias é uma peculiaridade brasileira. Criado em 2015, ele funciona como um semáforo: verde significa que está tudo bem e não há cobrança extra; amarelo indica condições menos favoráveis; e vermelho (dividido em dois patamares) sinaliza custos ainda mais altos, podendo chegar a R$ 7,87 por 100 kWh. A título de comparação, países como Alemanha e Reino Unido têm tarifas de energia entre as mais altas do mundo, mas não usam esse sistema de cobrança variável — lá, o preço alto é fixo o ano todo, enquanto no Brasil ele oscila conforme as condições climáticas e a disponibilidade de água.

O que muda para o cidadão

Para uma família que consome 200 kWh por mês (a média nacional, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética), a bandeira amarela representa um acréscimo de cerca de R$ 3,77 na conta. Pode parecer pouco, mas em um país onde 63 milhões de pessoas vivem com renda mensal de até um salário mínimo (conforme dados do IBGE), cada real conta. A Aneel recomenda mudanças simples de hábito, como trocar lâmpadas por modelos LED, desligar aparelhos da tomada e reduzir o tempo de banho — medidas que, segundo a agência, podem diminuir o consumo e aliviar o orçamento doméstico.

📊 Número do Dia

R$ 1,885 — Custo adicional por 100 kWh consumidos com a bandeira amarela em setembro, pelo quinto mês seguido

Por que isso importa

A manutenção da bandeira amarela pressiona o orçamento das famílias brasileiras em um momento de inflação persistente e juros elevados. Para as empresas, especialmente as de setores intensivos em energia como indústrias e comércio, o custo adicional reduz margens de lucro e pode ser repassado aos preços finais. O cenário também sinaliza a vulnerabilidade do sistema elétrico brasileiro à variação climática, reforçando a necessidade de diversificação da matriz energética e investimentos em fontes renováveis menos dependentes de chuvas.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/bandeira-tarifaria-de-energia-permanecera-amarela-em-setembro